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Curta brasileiro ‘O Pacote’ é selecionado para o 63° Festival de Berlim

A produção de curtas-metragem no Brasil ganha mais uma vez o reconhecimento dos festivais internacionais. O Pacote do cineasta e roteirista Rafael Aidar foi selecionado para integrar a mostra competitiva Generation 14plus, parte da programação do 63º Festival Internacional de Cinema de Berlim, do dia 7 a 17 de fevereiro de 2013. Vale lembrar que em 2008, o brasileiro Felipe Sholl levou o prêmio Teddy, com o curta , por melhor filme na categoria LGBT.

No texto da seleção, o concurso ressaltou que muitos filmes sobre essa temática estão sendo feitos no Brasil, mas que o selecionado retrata a história de um grupo de jovens de uma classe social pouco representada nesse nicho. Produzido por Beatriz Carvalho, O Pacote é uma coprodução entre Aurora Filmes e Klaxon Cultura Audiovisual. A produção foi viabilizada por meio do incentivo recebido pelo Prêmio Estimulo ao Curta-Metragem – 2011, da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo.

Cartaz do curta O Pacote, de Rafael Aidar

Para compor o quarteto principal desse filme, os produtores realizaram testes com mais de 100 jovens da SP Escola de Teatro, os outros estudantes ajudaram no elenco de apoio e figuração. As filmagens foram feitas em junho de 2012, durante quatro dias, nos bairro da Vila Madalena, Imirim, Saúde e Sacomã da cidade de São Paulo. O diretor decidiu tratar de um tema contemporâneo voltado aos jovens adolescentes, como um retrato geracional e uma reflexão de uma situação vigente.

O Pacote, de 18 minutos, apresenta a história do jovem Leandro que ingressa numa nova escola  num bairro periférico de São Paulo. Na classe, conhece Jefferson, que lhe apresenta sua nova turma de amigos. Com o passar do tempo, os dois rapazes se identificam e ganham intimidade, até que decidem ficar juntos. A relação é posta a prova quando Jefferson revela ser HIV positivo. A partir dessa novidade, Leandro fica na dúvida de se entregar ou não ao relacionamento amoroso.

Cena do curta "O Pacote"

O objetivo de Rafael Aidar ao retratar o universo e as problemáticas de jovens gays era  expandir os espaços de circulação desses dilemas. A proposta do filme é  falar do amor e de aspectos da natureza humana comum a todos, eliminando qualquer tipo de barreira entre um relacionamento afetivo entre duas pessoas.

Será que ganharemos outro prêmio para o Brasil? Pelo menos, nossa produção de curtas-metragens já consegue destaque no exterior e, com isso,  ajuda  novos cineastas a começarem sua carreira.

Curta no Almoço comemora 5 anos na Caixa Cultural

O que fazer para se distrair do trabalho na hora do almoço? Além de encontrar um bom restaurantes, há cinco anos a Caixa Cultural, no Centro do Rio de Janeiro, promove o “Curta no Almoço”. Em sua 10ª edição, o projeto começou ontem, dia 10, e termina dia 27 de abril, apresentando 20 curtas selecionados dos anos de programação. Sempre no horário do almoço, as exibições tem o tempo de 22 minutos (dá para  almoçar e comer a sobremesa no cinema) de terça à sexta. O evento também lembra das crianças e oferece duas sessões de filmes infato-juvenis para os estudantes de escolas da rede estadual.

Durante 14 dias, o público presente no centro da cidade carioca poderá assistir por apenas R$ 2,00 (meia R$ 1,00) a coletânea de filmes em comemoração aos cinco anos do projeto. O evento já exibiu 130 curtas para mais de 9.300 pessoas, tendo um aumento de 130% da primeira apresentação a nona. A exibição passou de 522 expectadores, na primeira edição, para 1.200 na última. A expectativa é que o número aumente ainda mais este ano.

Criado pelo Curta o Curta em 2007, as apresentações visam aumentar a circulação e exibição das produções de curta-metragem nacionais. Para esta edição, a Caixa exibirá sete documentários, oito ficções e cinco animações. A mostra destaca o documentário “Eu sou como o polvo” de Sávio Leite, que traz o desenhista Lourenço Mutarelli, considerado um dos maiores do Brasil, fazendo um paralelo entre uma autoapresentação narrativa e uma autorepesentação gráfica. Outros destaques são os curta “Multilicadores”, de Leonardo Albergaria, que explora a atividade de grafitismo dos jovens, e  o humorado “Suzy Brasil: a deusa da Penha Circular”, de Renata Than.

Eu recomendo ainda a animação “O Paradoxo da espera do Ônibus”, de Christian Caselli (que já postei aqui no blog) e “Os Filmes que Eu não Fiz”, de Gilberto Scarpa, despretensioso e divertido.  Já está programada para setembro a 11ª edição, com filmes inéditos, na Caixa Cultural do Rio de Janeiro. Veja a lista de curtas completa no site centro cultural:  http://www.caixacultural.com.br/

Para quem não puder conferir a mostra ou escolher outro dia, deixo uma degustação:

– Os Filmes que Eu não Fiz (2008, 16 min)

O Valor dos curta-metragens no Brasil

O cinema nasceu curto. A primeira obra registrada foi “Chegada de um trem à estação” (L’Arrivée d’un train em gare de La Ciotat, França, 1895) filmada por Louis Lumière, que tinha apenas 50 segundos. As produções do começo do século XX eram maioria de poucos minutos, mas após as grandes produções dos estúdios cinematográficos, os curtas perderam espaço e passaram a não ser considerados filmes, tanto que muitas realizações deixaram de ser catalogadas.

A categoria, no entanto, continua sendo a porta de entrada para novos cineastas no mundo das filmagens. Por muito tempo esquecidos no Brasil, eles não foram reconhecidos pela população e não chegaram a ganhar destaque no mercado. Assim como o nosso cinema tradicional que traça ainda uma trajetória de retomada, desde meados de 1997. Por outro lado, as produções de curta metragem têm ganhado espaço em vários festivais pelo país, que se tornam vitrine para jovens idealizadores.

O Instituto Brasileiro de Arte e Cultura (IBAC), em São Paulo, lançou ano passado o Dicionário de Filmes Brasileiros Curta e Média Metragem, que cataloga 21.686 obras nacionais a partir de um minuto até uma hora.  O trabalho é do professor Antonio Leão da Silva Neto que se preocupou em valorizar toda a construção cinematográfica brasileira entre 1898 a setembro de 2011. Provavelmente muito material ficou de fora, entretanto, já é uma grande homenagem a todo mundo que dispõe a contar uma história retendo pouco tempo das nossas vidas.

Quando pensam em curtas metragens brasileiros quais produções vocês se lembram? Temos poucas obras que ganharam destaque na mídia, muito ainda em cima da viralização da internet, mas ainda assim temos os premiados internacionais e as obras do início da carreira dos nossos principais diretores. Com certeza, já ouviram falar em Ilha das Flores (1989) e Os Sapatos de Aristeu (2008), não?

Com o objetivo de prestigiar os curtas nacionais, a Petrobras mantém o Portal Curtas, com informações e disponibilidade de assistir os filmes online. É bom dar uma olhada.

Por hora, listo algumas produções brasileiras que valem a pena serem vistas:

1- Ilha das Flores (Jorge Furtado, 1989, 12 min): Um tomate é plantado, colhido, transportado e vendido num supermercado, mas apodrece e acaba no lixo. Acaba? Não. A narrativa segue-o até o seu verdadeiro final, entre animais, lixo, mulheres e crianças. E então fica clara a diferença que existe entre tomates, porcos e seres humanos.

2- Os Sapatos de Aristeu (Luis René Guerra, 2008, 17 min): O corpo de uma travestir morta por outras travestis para o velório. A família, após receber o corpo, decide enterrá-lo como homem. Uma procissão de travestis então se encaminha para o velório para reclamar a identidade construída da falecida.

3- Saliva (Esmir Filho, 2007, 15 min): Uma viagem na mente de uma menina de 12 anos prestes a dar o sue primeiro beijo. Dúvidas e medos mergulhados em saliva.

4- Tá (Felipe Sholl, 2007, 5 min): Dois meninos de vinte e poucos anos exploram sua sexualidade e m um banheiro público.

5- Antes que seja Tarde (André Queiroz, 2007, 14 min): Digo é um adolescente mal humorado em crise com as mudanças em sua vida desde que terminou o colégio. Ele não quer seguir adiante, mas o resto do mundo não vai parar de andar só porque ele precisa de um tempo.

6- Dôssie Rê Bordosa (Cesar Cabral, 2008, 16 min): Documentário em animação que investiga os motivos e as circunstâncias que levaram o cartunista Angeli a matar sua personagem mais famosa, a diva underground, Rê Bordosa.

7- Palace II (Fernando Meirelles e Kátia Lund, 2001, 21 min): O filme conta a história de dois garotos, Laranjinha e Acerola, que moram na Cidade de Deus, uma das mais violentas favelas do Rio de Janeiro. Tudo que eles querem é dinheiro para assistir um show de pagode. Para isto, eles vêm com a ideia do crime perfeito: o Palace II.

8- O Paradoxo da Espera do Ônibus (Christian Caselli, 2007, 4 min): Um cara espera pelo o ônibus. Ele virá? Quando? O que fazer? Desenho animado visto mais de 200 mil vezes na internet.

9- Tarantino’s Mind (300 ml, 2006, 13 min): Dois amigos se encontram  em um bar tradicional de São para falar sobre uma interessante tese sobre os filmes do diretor Quentin Tarantino.

Curta Metragem Live Action (Oscar 2012)

No próximo domingo, dia 26, conheceremos as produções premiadas pelo Oscar 2012, no entanto, até lá muito ainda pode ser especulado sobre os melhores em cada categoria. Como falei dos curtas de animação algum tempo atrás aqui no Translação de Culturas, resolvi também apresentar os curtas live action, que concorrem ao “prêmio máximo” do cinema. Muitas dessas obras passaram a ser conhecidas apenas por meio das indicações, na última terça-feira, dia 22, os filmes foram apresentados em Los Angeles para grandes plateias e os realizadores discutiram sobre o mercado dessa forma artística que geralmente é o pontapé inicial de novos cineastas.

Entre as produções concorrentes de Melhor Curta Metragem Live Action encontramos dois filmes irlandeses, um alemão, um americano e um norueguês. É difícil dimensionar acertos e erros nas produções, uns são mais originais, outras nem tanto e ainda tem aqueles que eu me pergunto o porquê da indicação. Segue os comentários sobre selecionados pela Acadêmia.

1. Pentecost (Irlanda, 2011)

O curta de 11 minutos apresenta o cômico dilema de um menino para assistir à final da Taça Europeia. Unindo a temática da religião e dos esportes, o diretor estreante e ator de teatro Peter McDonald conta a situação de um coroinha que durante a missa comete um erro e acaba acertando o sacerdote que preside o altar. Como castigo pelo ato, o pai do garoto o proíbe de assistir aos jogos de futebol, maior paixão do jovem . O centro da trama, no entanto, segue a missa atual, na qual se o menino fazer tudo direitinho conseguirá ser liberado do castigo e poderá assistir ao torneio.

Mostrando a importância da missa numa cidade pequena, o filme é de fácil identificação com várias outras culturas que tem o futebol como destaque. Bem elogiado e criativo, o curta é um forte concorrente à estatueta. Veja o trailer:

2. Raju (Alemanha, 2011)

Em pouco mais de 20 minutos acompanhamos o drama de uma casal alemão que viaja à Índia para adotar um menino de quatro anos, Raju. A trama se desenrola quando o garotinho, de repente, desaparece e o pai adotivo Jan vaga pelo submundo da cidade em busca do paradeiro do menino. Durante a sua peregrinação, o casal descobre que o órfã foi sequestrado por um orfanato para ser vendido para estrangeiros. Dirigido e co-escrito por Max Zahle com o escritor Florian Kuhn, o filme é o único sério e dramático dos indicados ao Oscar da categoria este ano e acredito que será o vencedor da estatueta. Dê uma olhada no trailer:

3. The Shore (Irlanda, 2011)

O segundo curta irlandês concorrente é de um veterano, o diretor Terry George também responsável pelos elogiados filmes Hotel Ruanda (2004) e Em Nome do Pai (1993). O cineasta, no entanto, não consegue empolgar os espectadores com a história de um irlandês que retorna a Belfast, após 25 anos nos Estados Unidos, com a sua filha e tenta se redimir do rompimento de uma amizade e de uma noiva abandonada. A reconciliação, entretanto, se torna uma situação cômica e um triângulo amoroso, dificultando o objetivo do visitante. Contudo os diálogos são pobres e o entendimento entre os personagens, plot da narrativa, deixa a desejar. São 31 minutos de belas paisagens, confira:

4. Time Freak (EUA, 2011)

Aposto que nem os realizadores, Andrew Bowler e  Gigi Causey, do curta esperavam concorrer ao Oscar, da mesma forma, eu me pergunto como ele conseguiu esta indicação. O curta é engraçado e divertido, merece um reconhecimento, no entanto, a produção não pode ser considerada um das melhores do ano passado. Durante 11 minutos, somos apresentados a Evan, criador de uma máquina do tempo, que sempre volta ao dia anterior. A parte cômica da história é representada pelo neurose do personagem principal,  que passa mais de um ano retornando ao mesmo dia para aperfeiçoar o encontro com cada pessoa com quem ele entra em contato. Fica por conta do seu amigo Stilman tentar dissuadi-lo dessa obsessão. Conheça um pouco do enredo:

5. Tuba Atlantic (Noruega, 2011)

O curta de 25 minuto apresenta a peculiar história de Oskar, 70 anos, que morrerá em seis dias. Sabendo do seu curto tempo, o personagem decide perdoar seu irmão, que vive do outro lado do Oceano Atlântico nos Estados Unidos, de uma desavença do passado. O objetivo de Oskar é somado também a vontade de eliminar as gaivotas do mundo por meio de metralhadoras e dinamites,  além de lidar com uma irritante garota do grupo “Jesus Club”, que pretende ajudá-lo a morrer. O filme é dirigido por Hallvar Witzø e escrito por Linn-Jeanethe Kyed com  um caráter divertido e engraçado, contudo a narrativa passa a impressão que faltou algo a acontecer. Acompanhe o trailer:

Quais são as suas apostas?