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Documentário sobre Marcelo Yuka fala da recuperação do músico

“Eu não sei muito bem o que aconteceu. Só sei que sou baterista, tomei nove tiros, tô paraplégico e minha vida acabou”, declara Marcelo Yuka no documentário que conta a sua trajetória artística e a sua luta atrás de um tratamento para sair da cadeira de rodas. Com base nesses dois pontos chaves, Daniela Broitman (Meu Brasil, 2007) montou uma representação da vida do ex-baterista de O Rappa, em Marcelo Yuka no Caminho das Setas.

Pelo ponto de vista técnico, o documentário deixa a desejar, com cortes básicos, planos muito fechados e pouca dinâmica de câmera. Pela perspectiva do envolvimento com a história, no entanto, a obra prende a atenção do espectador e fala sobre os detalhes do incidente, os anseios, os medos e as esperanças do compositor.

Virada Cultural 2011 no documentário Marcelo Yuka no caminho das setas

O pontapé inicial dessa narrativa traçada por Daniela é exatamente a fatalidade que aconteceu com músico no ano de 2000. A partir daí vemos como foi o sucesso da banda O Rappa e as letras compostas por Marcelo na boca de milhares de pessoas. No auge da carreira, o músico tem o azar de receber nove tiros e nunca mais poder voltar a andar. É curioso acompanhar a forma que Yuka passa lidar com sua limitação e como a sua carreira vai se remodelando.

O grande desafio desse documentário é apresentar a imagem do artista sem torná-lo uma vítima tanto da violência urbana quanto da incompreensão por parte da sua antiga banda. Mas não consegue. Um dos pontos mais polêmicos após a tragédia, a saída da banda, é explicado detalhadamente, suprindo a curiosidade dos fãs e espectadores por uma justificativa, mas acaba criando mocinhos e vilões.

Marcelo Yuka no documentário

A metade do filme apresenta novos rumos dessa história, mostrando a inconformidade do músico e seus trabalhos posteriores, desde a sua segunda banda F.UR.TO até o seu CD solo, que já perdura por oito anos em estúdio. Grande parte dessa imersão na vida de Marcelo é acompanhá-lo na fisioterapia, no seu estúdio, no seu trabalho social e se emocionar com as declarações sobre o seu maior sonho ainda a se realizar.

O documentário transparece o talento artístico de Yuka e somos arrebatados em algumas cenas com as suas declarações, que só reforçam o quanto o cara é bom com as palavras. “Existe um momento em que todo mundo diz que você é foda, se você acreditar está ferrado”, diz Marcelo durante o documentário, mostrando com franqueza seu olhar sobre a fama. Ela busca ainda uma companheira, mas se depara com a dúvida sobre se as mulheres se aproximam dele Marcelo Fontes do Nascimento Viana de Santa Ana ou do mito Marcelo Yuka.

A produção é sobre o mito e recheada de resquícios do homem de Campo Grande, subúrbio do Rio de Janeiro. Apesar do pouco dinamismo, o documentário realiza um bonito registro sobre um dos destaques da música brasileira, nos remetendo um pouco ao filme Herbert De Perto (2009), mas bem diferente esteticamente. Com a participação dos cantores Manu Chao e Cibelle, Marcelo Yuka no Caminho das Setas também é um bom entretenimento para os amantes da música.

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CD apresenta versões indie para as músicas do grupo ‘Raça Negra’

Particularmente, me agrada muito descobri novas versões de músicas já consagradas pelo grande público. É como redescobrir a construção musical, ainda mais quando essa melodia antiga ganha um gênero musical diferente. Por isso, eu gosto bastante do seriado Glee, cada episódio o espectador é brindado com versões de músicas super conhecidas. No último episódio (4×04), por exemplo, foram executadas duas belíssimas interpretações para “Don’t Speak”, do No Doubt, e “The Scientist”, do Coldplay. Mas esse texto não é sobre o seriado e sim sobre um dos grupos de pagode mais famosos do Brasil, que fabricaram hits durante toda a década de 1990 e é homenageado alguns anos depois, o Raça Negra.

Inesperavelmente, jovens músicos resolveram homenagear o grupo de pagode e fizeram regravações das principais faixas da carreia do Raça Negra. São 12 composições nas vozes de artistas e grupos da novíssima geração do rock indie brasileiro, como Letuce, Minha Pequena Soundsystem e Nana, só para citar alguns, que compõem tons folk, soft-rock, jazz, reggae e pop rock. O disco virtual foi batizado de “Jeito felindie”, em homenagem a música “Jeito Felino” e está disponível para download no site Fita Bruta.

O idealizar e produtor desse tributo, o jornalista Jorge Wagner, disse em entrevista que o objetivo dessa obra era experimentar as semelhanças dessas composições com os gênero indie, sem ironias e preconceitos, reconhecendo apenas a qualidade pop das músicas. O produtor possui o desejo de levar esse projeto para os palcos e transformá-lo em um produto físico. A ideia agradou o vocalista e compositor do Raça Negra, Luís Carlos, que já declarou: “Não consigo explicar a felicidade que esse projeto nos dá. É um reconhecimento inesperado para nossa banda, que durante muito tempo foi criticada por trazer elementos como metais e teclado para o pagode”.

Não sou fã de pagode, mas tenho o DVD do Raça Negra  na minha estante. Acontece que me simpatizo muito com as composições de Luís Carlos e se é para apontar um dos maiores grupos de pagode para mim, sem dúvidas, é o Raça Negra. Afinal, cantei muito: “Deus me livre te amar, mas eu te amo….”

Me apaixonei por esse tributo e se tivesse um show, eu estaria presente. Segue uma pequena crítica de cada faixa do álbum virtual, apesar de ter implicado com algumas interpretações, gostei do resultado e da oportunidade de conhecer essa turma de músicos, ainda com pouco espaço nas mídias.

Leiam, mas também ouçam e tirem suas próprias conclusões.

1. Cigana – Lulina

O disco começa meio sem graça com essa versão da cantora de Recife Luciana Lins, ou melhor, Lulina, que desponta nos palcos de São Paulo e já teve uma música no seriado “Alice”, da HBO. Apesar de ter gravado apenas um álbum (Critalina, 2009) em estúdio, ela possui oito gravados em casa.

2. Cheia de Manias – Vivian Benford

Gostei muito de Vivian Benford cantando “Cheia de Manias” em ritmo folk rock. O tom de voz da cantora carioca é bonito e suave, o que traz um toque especial para canção que apresenta os defeitinhos de todas as mulheres. Vivian é publicitária e durante algum tempo integrou o grupo “Perdidos na Selva’, que tocava cover de bandas do anos 80. Apenas em 2010, ela lançou o seu CD virtual “Jardins”.

3. Te quero comigo – Minha Pequena Soundsystem

Achei razoável a adaptação da banda Minha Pequena Soundsystem para “Te quero comigo”. Primeiro, porque o ritmo ainda é de pagode, apesar de lembrar os acordes samba-rock. Além disso, a voz do vocalista não é tão envolve quanto a de Luís Carlos. O que mais difere nessa versão são os sons de estúdio que imitam espaço e ruídos psicodélicos. A banda carioca criou ainda um clipe para a música, em que eles denominam como: “traz o balanço do original, acrescido de synths setentista, beats de Manchester e todo o ardor canastrão de uma desilusão amorosa”

4. Deus  Me Livre – hidrocor

Me chateou bastante a versão que a banda hidrocor fez para a minha canção preferida do Raça Negra. A música só empolga um pouco depois de um minuto e não consegue transmitir a emoção que a composição precisa. Na voz do vocalista Marcelo Perdido, a letra da música ganha formas de dor de estômago do que de uma um coração partido. Junto com Perdido compõe a banda o baterista Rodrigo Caldas. No início de 2012, eles lançaram o álbum “edifício Bambi”, que contou com a participação de Lulina e Tatá Aeroplano.

5. Maravilha – Giancarlo Rufatto

A canção “Maravilha” ganhou batidas pop e acordes de guitarra, além disso a voz do intérprete me lembra o sumido cantor Maurício Manieri. O curitibano Giancarlo, no entanto, tem seu mérito em tornar a música numa baladinha romântica, bem característico de suas composições. Ele já lançou três álbuns, alguns EP’s e dezenas de singles. Este ano, Giancarlo distribuiu na web o disco “A Vida Secreta das Referências”, que me ganhou só pelo nome, vou conferir em breve as faixas.

6. Quando Te Encontrei – Amplexos

Uma mistura de viola e reggae. Com a banda Amplexo, “Quando Te Encontrei” apresenta um ritmo acertado fora do pagode e soa natural até para que já ouviu a versão original centenas de vezes. Nunca ouvi o som dos Amplexos, mas gostei muito dessa trabalho e vou procurar mais sobre essa banda carioca. Em 2008, eles lançaram o álbum “Bolacha Discos”.

7. Vida Cigana – Nevilton

O rock aparece mais forte nessa faixa por meio da bateria e da guitarra elétrica da banda do interior do Paraná. Nevilton tem a pegada mais forte no rock de todo o CD, com acordes carregados, entretanto, o vocalista poderia ter uma voz mais potente para acompanhar o próprio som dos instrumentos. Os roqueiros foram vencedores do Prêmio Multishow 2011, na categoria Experimente.

8. Você não Sabe de mim – Radioviernes

Nessa oitava faixa, a banda Radioviernes também carrega nos acordes e soa como um grupo da época da Jovem Guarda. Essa pegada sessentista combina com a temática da música e o resultado é bem agradável. A banda paulista é super nova, nasceu em 2010 é até hoje lançou três singles e um EP. Agora se prepara para gravar seu primeiro CD em estúdio.

9. É Tarde Demais – Harmada

O CD apresenta ainda uma das músicas mais emblemáticas do grupo, que o próprio Luís Carlos já declarou que compôs baseado em uma história real, que aconteceu com um amigo dele. Contudo, a interpretação do vocalista da banda Harmada é fraca e sem muita criatividade, o que foge do padrão do disco e soa falso. A música de lamento se torna em um depoimento raivoso. Harmada, entretanto, aparece em vários rankings de 2011, sendo apontada como a melhor revelação do ano. A Música “Vulgar para Corações Surdos”, do primeiro disco, entrou em algumas listas de melhores lançamentos de 2011, como O Globo, Acesso Total e Atividade FM.

10. Jeito Felino – Letuce

Letuce apresenta sua versão de “Jeito Felino” em tom folk teatral, como se fosse um som experimental, mas o resultado é simples e bonito. Pelo menos para o público carioca, Letuce dispensa apresentações, o texto lírico-musical já é conhecido e cai como uma luva para essa regravação. Eu adoro a voz de Letícia Novais, que compõe a dupla junto com seu marido Lucas Vasconcellos. A junção de música e amor não poderia ser melhor.

11. Me Leva Junto com Você – Orquestra Superpopular

Orquestra Superpopular me lembrou no início o grupo Teatro Mágico, mas depois a voz doce da vocalista Yesica Sales me ganhou completamente. Sua interpretação de “Me Leva Junto Com Você” torna a música um clássico da MPB, com arranjos de Bossa Nossa no piano. Nascida no final de 2010, a orquestra propõe produzir um som “superpopular” que agrade todos os gostos. A banda é composto por seis cariocas:  André Lemos, Tarso Gusmão, Victor Hugo, Pedro Poema, Yesica Sales e Gabriel Paes.

12. Sozinho – Nana

Adorei essa versão. A voz da baiana Ananda Lima, isto é, Nana acompanhada de acordes delicados, instrumentos de cordas e flauta soa tão melódica e inocente que nos transporta para um cenário musical da década de 1970. A composição se transforma em uma canção de desilusão amorosa juvenil, sem mudar nenhuma letra. Ela toca junto com o músico João Vinícius, que acompanha com o violão, guitarra, teclado e escaleta. Com objetivo de ter uma abordagem mais eletrônica, o computador é o terceiro integrante desse grupo. É a regravação que eu mais gostei do álbum.

 

E vocês o que acharam?

Rock nas teclas – System Of A Down on Piano

Sempre quis aprender a tocar piano, mas nunca consegui movimentar bem os dedos ou acertar o tempo das notas. Eu acho, entretanto, que é o instrumento mais bonito sonoramente e mais belo para se observar, acompanhando o dedilhado em compasso sobre a teclas. Por causa dessa relação fantasiosa com o piano, cheguei a ter aulas com uma professora particular, contudo, seus ensinamentos não tiveram êxito e as únicas músicas as quais eu dedilho no teclado são “Cai, cai balão” e “Parabéns para você”.

Por outro lado, existem várias pessoas que são magníficas em frente a um teclado ou um piano. Durante uma curiosa busca na internet, encontrei um vídeo antigo de B.Y.O.B, do System Of A Down, ao som do piano. Também achei uma cover da banda que tocava intensamente as canções no teclado, me arrepiou.

Quem disse que as bandas de rock não precisam de tecladista? Eu me encantei pela incorporação de melodias tão simples e calmas em músicas ofensivas, pesadas e críticas. Os principais sucessos do S.O.A.D. possuem várias versão desse tipo na internet e eu resolvi relacionar algumas em destaque. Esses exemplos me provam que não há limites para a criatividade e a ousadia, como unir um símbolo clássico ao ritmo marginal.

1. B.Y.O.B

2. Toxicity

3. Chop Suey!

4. Aerials 

5. Lonely Day 

Los Hermanos nos cinemas de 21 cidades do Brasil + Playlist do show

Em 2012, a banda Los Hermanos comemora quinze anos de trajetória e para celebrar a data, no ano passado, foi anunciado vários shows em 12 cidades brasileiras. Com ingressos bem salgados em determinadas regiões do país, Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba  conseguiram esgotar as entradas rapidamente e disponibilizaram mais dias de apresentação para suprir a demanda do público saudosista. No Rio de Janeiro serão seis dias destinados para o evento, seguido por São Paulo, com quatro dias de espetáculo.

Toda essa movimentação, no entanto, não foi suficiente para os fãs de Los Hermanos. Os produtores acreditam que mais pessoas gostariam de ver o “retorno” dos quatro rapazes ao palco, após cinco ano da separação.  Com o objetivo de ampliar o público, a CineLive promoverá pela primeira a transmissão ao vivo de uma banda nacional nos cinemas. O escolhido para estreia será o show do dia 31 de maio, quinta-feira, às 22h, no Espaço das Américas, em São Paulo. Junto com os quatro músicos sobem ao palco Gabriel Bubu (baixo), Bubu (trompete), Índio (saxofone barítono) e Mauro Zacharias (trombone).

As sessões do show dos Los Hermanos também abordará cidades em que os músicos não passarão em turnê, como Florianópolis, Fortaleza, João Pessoa e Maceió, além de outro municípios de São Paulo e da Região Sul. Os ingressos custam entre R$ 30,00 e R$ 60,00 e começaram a ser vendidos nesta quarta-feira, dia 23, no site do CineLive. Veja a relação completa:

Belo Horizonte  Cinearte do Minas Shopping + Cinemark Savassi
Brasília – Severiano Ribeiro do Kinoplex Park Shop + Cinemark Pier 21
Campinas – Cineflix Galeria Shopping
Caruaru – Center Plex Caruaru
Curitiba — UCI Palladium
Florianópolis – Cinespaço Beira Mar Florianópolis
Fortaleza — UCI do Shopping Iguatemi + Center Plex do Shopping Via Sul
João Pessoa – Cinespaço MAG Shopping
Juiz de Fora – UCI Independência
Maceió – Centerplex do Patio Maceió
Maringá – Cineflix Maringá Park
Niterói – Cinemark Niterói
Porto Alegre – Cineflix do Shopping Total
Recife – UCI do Shopping Center Recife
Ribeirão Preto – UCI Ribeirão Shopping
Rio de Janeiro – Espaço Itaú Praia Botafogo + Serveriano Ribeiro do Kinoplex Tijuca + UCI New York City Center + Severiano Ribeiro do Fashion Mall + Cinemark Botafogo + Cinemark Downtown
Salvador – Cinemark Salvador Shopping
Santos – Roxy Santos
São José dos Campos – Cineflix Shopping Vale Sul
São Paulo – Serveriano Ribeiro Shopping Vila Olímpia + UCI Shopping Jardim Sul + Espaço Itaú Frei Caneca + Cinermark Santa Cruz + Cinemark Eldorado + Cinemark Market Place
Sorocaba – Cinespaço Villagio Sorocaba

Também rola pela internet uma playlist do primeiro show da turnê de Los Hermanos, em Recife, no dia 20 de abril. Confira as possíveis músicas das próximas apresentações:

1- Além do que se vê
2- O Vencedor
3- Retrato para Iaiá
4- Todo Carnaval tem seu fim
5- O Vendo
6- A Outra
7- Morena
8- Primeiro Andar
9- Mais Tarde (solo de Marcelo Camelo)
10- Do Sétimo Andar
11- Um Par
12- Sentimental
13- Cadê teu suin?
14- Acostumar (solo de Marcelo Camelo)
15- A Flor
16- Cara Estranho
17- Condicional
18- Deixa o Verão
19- Sem título (música inédita de Amarante)
20- Pois é
21- O Velho e o Moço
22- Conversas de Botas Batidas
23- Último Romance

(Bis)

24- Sem título (música inédita de Amarante)
25- Casa Pré-fabricada
26- Quem Sabe
27- Tenha Dó
28- Descoberta
29- Pierrot