O Valor dos curta-metragens no Brasil

O cinema nasceu curto. A primeira obra registrada foi “Chegada de um trem à estação” (L’Arrivée d’un train em gare de La Ciotat, França, 1895) filmada por Louis Lumière, que tinha apenas 50 segundos. As produções do começo do século XX eram maioria de poucos minutos, mas após as grandes produções dos estúdios cinematográficos, os curtas perderam espaço e passaram a não ser considerados filmes, tanto que muitas realizações deixaram de ser catalogadas.

A categoria, no entanto, continua sendo a porta de entrada para novos cineastas no mundo das filmagens. Por muito tempo esquecidos no Brasil, eles não foram reconhecidos pela população e não chegaram a ganhar destaque no mercado. Assim como o nosso cinema tradicional que traça ainda uma trajetória de retomada, desde meados de 1997. Por outro lado, as produções de curta metragem têm ganhado espaço em vários festivais pelo país, que se tornam vitrine para jovens idealizadores.

O Instituto Brasileiro de Arte e Cultura (IBAC), em São Paulo, lançou ano passado o Dicionário de Filmes Brasileiros Curta e Média Metragem, que cataloga 21.686 obras nacionais a partir de um minuto até uma hora.  O trabalho é do professor Antonio Leão da Silva Neto que se preocupou em valorizar toda a construção cinematográfica brasileira entre 1898 a setembro de 2011. Provavelmente muito material ficou de fora, entretanto, já é uma grande homenagem a todo mundo que dispõe a contar uma história retendo pouco tempo das nossas vidas.

Quando pensam em curtas metragens brasileiros quais produções vocês se lembram? Temos poucas obras que ganharam destaque na mídia, muito ainda em cima da viralização da internet, mas ainda assim temos os premiados internacionais e as obras do início da carreira dos nossos principais diretores. Com certeza, já ouviram falar em Ilha das Flores (1989) e Os Sapatos de Aristeu (2008), não?

Com o objetivo de prestigiar os curtas nacionais, a Petrobras mantém o Portal Curtas, com informações e disponibilidade de assistir os filmes online. É bom dar uma olhada.

Por hora, listo algumas produções brasileiras que valem a pena serem vistas:

1- Ilha das Flores (Jorge Furtado, 1989, 12 min): Um tomate é plantado, colhido, transportado e vendido num supermercado, mas apodrece e acaba no lixo. Acaba? Não. A narrativa segue-o até o seu verdadeiro final, entre animais, lixo, mulheres e crianças. E então fica clara a diferença que existe entre tomates, porcos e seres humanos.

2- Os Sapatos de Aristeu (Luis René Guerra, 2008, 17 min): O corpo de uma travestir morta por outras travestis para o velório. A família, após receber o corpo, decide enterrá-lo como homem. Uma procissão de travestis então se encaminha para o velório para reclamar a identidade construída da falecida.

3- Saliva (Esmir Filho, 2007, 15 min): Uma viagem na mente de uma menina de 12 anos prestes a dar o sue primeiro beijo. Dúvidas e medos mergulhados em saliva.

4- Tá (Felipe Sholl, 2007, 5 min): Dois meninos de vinte e poucos anos exploram sua sexualidade e m um banheiro público.

5- Antes que seja Tarde (André Queiroz, 2007, 14 min): Digo é um adolescente mal humorado em crise com as mudanças em sua vida desde que terminou o colégio. Ele não quer seguir adiante, mas o resto do mundo não vai parar de andar só porque ele precisa de um tempo.

6- Dôssie Rê Bordosa (Cesar Cabral, 2008, 16 min): Documentário em animação que investiga os motivos e as circunstâncias que levaram o cartunista Angeli a matar sua personagem mais famosa, a diva underground, Rê Bordosa.

7- Palace II (Fernando Meirelles e Kátia Lund, 2001, 21 min): O filme conta a história de dois garotos, Laranjinha e Acerola, que moram na Cidade de Deus, uma das mais violentas favelas do Rio de Janeiro. Tudo que eles querem é dinheiro para assistir um show de pagode. Para isto, eles vêm com a ideia do crime perfeito: o Palace II.

8- O Paradoxo da Espera do Ônibus (Christian Caselli, 2007, 4 min): Um cara espera pelo o ônibus. Ele virá? Quando? O que fazer? Desenho animado visto mais de 200 mil vezes na internet.

9- Tarantino’s Mind (300 ml, 2006, 13 min): Dois amigos se encontram  em um bar tradicional de São para falar sobre uma interessante tese sobre os filmes do diretor Quentin Tarantino.

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 17/03/2012, em Cinema, Curta-Metragem e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Muito boa a compilação!
    Parabéns!

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