Arquivo da categoria: Crítica

Blomkamp es ambicioso e heróico con Chappie

La ciencia-ficción,  la crítica social, la reflexión, el humor, las alusiones y autorreferencias cinematográficas son algunas de las composiciones en la tercera película del sudafricano Neill Blomkamp. Si ha asistido a las dos primeras obras – District 9 (2009) y Elysium (2013) -, saiba que Chappie mezcla las dos ideas, pero el director ha dado una forma más redonda a su historia.

Podría liquidarse el asunto diciendo que es una actualización grosera de Cortocircuito (1986) o una perversión naíf de RoboCop (1989), incluso un poquito de la ideología de Blade Runner (1982), pero Chappie, el robot (Sharlto Copley) y la película, tienen suficiente personalidad como para no etiquetarlos tan precipitadamente. Sobre todo cuando tras la fachada de un blockbuster rico en acción, explosiones y espectacularidad se detecta el mimo y la reflexión con la que se exponen temas fundamentales y complejos.

Una vez más, Blomkamp pone a su ciudad natal Joanesburgo como escenario de la trama y se propone un debate de la inteligencia artificial y conciencia humana ante un contexto de violencia y opresión. Convertido en depositario de la primera consciencia artificial, esta máquina diseñada para hacerle el trabajo sucio a la policía, un antidisturbios que no cuestiona orden alguna, se convierte en un personaje en formación acuciado por las dudas y los mensajes contradictorios de los que le rodean.

A diferencia de las últimas películas, el humor gana protagonismo con Ninja (Ninja) y Yo-Landi (Yo-Landi Visser) desde su visual y sus armas colorido. Elegídos por el director, los dos cantan a dúo Die Antwoord y son naturales de Sudáfrica. Además, sus canciones están presentes en la banda sonora de toda la película. Cuando se ha elegido la doble para la película, Blomkamp quería captar la verdadera esencia del movimiento de la contracultura sudafricano, representado por los pobres de piel blanca (en su mayoría), lleno de tatuajes y dientes de oro.

Por este sesgo, outra vez, Blomkamp nos hace reflexionar sobre la desigualdad social y los prejuicios, sólo que ahora desde el encuentro entre el tipo marginal y la tecnología. La existencia de un alma y la posibilidad de transferencia, en un final de esos que le dejan a uno rascándose la cabeza un buen rato, con una mezcla de incredulidad, desazón y satisfacción por encontrarse con un director que no subestima la inteligencia del espectador.

Chappie nos presenta una estructura para creer que con el desarrollo tecnológico todo es posible, así como un estimulante reflexión sobre el futuro, la sociedad y una visión más allá de los maniqueísmos. Aquí, Blomkamp redime de sus errores en Elysium, y construye su crítica en un terreno fértil para provocar muchas discusiones.

Nota: 3.5/5

Anúncios

A Hospedeira é uma história ruim de romance adolescente

A nova adaptação de um livro de Stephenie Meyer chega aos cinemas. Normalmente, deixamos um pouco de lado a referência literária de um filme e focamos na produção, mas quando o pior do longa é exatamente ser baseado numa história fraquíssima, não tem como deixar pra lá. A Hospedeira  (The Host) segue o mesmo padrão da Saga Crepúsculo, com um triângulo amoroso e o envolvimento entre seres de outro mundo.

Sem quase nenhuma explicação, a Terra foi ocupada por alienígenas de forma, aparentemente, passiva, no entanto, existe um grupo de resistência e muitas pessoas preferem se matar a ter o seu corpo tomado por esses seres. O ser humano se torna hospedeiro desses invasores, durante o processo sua mente é extraída, enquanto o corpo permanece intacto.

Contudo, a pessoa não volta a ser como antes e passa a viver numa existência pacífica, em que ninguém mais mente, engana ou tenta tirar proveito do outro. Segundo os novos habitantes, os humanos estavam destruindo o planeta Terra e eles vieram salvar o nosso mundo. Só que numa história de mundo reabitado por seres alienígenas, não faz sentido ter casas, bibliotecas e hotéis abandonados. Muitas coisas na história não fazem sentido, se os alienígenas são incapazes de agir com violência ou enganar, como eles caçam os humanos?

Melanie Stryder (Saoirse Ronan) é uma das poucas remanescentes da espécie humana, junto com o seu irmãozinho Jamie (Chandler Canterbury) e Jared (Max Irons), por quem é apaixonada. Até que um dia, ela é encurralada por buscadores e para salvar seu irmão ela se joga de uma janela. Surpreendentemente, Melanie não morre, mas ela é capturada e recebe Wanderer/Peregrina no seu corpo.

O dever do alienígena é vasculhar sua mente até encontrar uma dica que a leve até onde estão os outros seres humanos. Para obter essa informação, a Buscadora (Diane Kruger) tenta de todas as formas pressioná-la, no entanto, Melanie está viva na mente de Peregrina e trava vários diálogos com ela e chega até comandar as suas ações. Desse modo, a alienígena acaba sentindo grande parte das emoções de sua hospedeira.

Peregrina e Melanie, no mesmo corpo, acabam reencontrando seu irmão, namorado, tios e outros humanos, sobrevivendo dentro de um vulcão adormecido. A partir deste ponto do filme, os conflitos alienígenas passam a ser a dúvidas bobas de qualquer adolescente e o desenrolar da trama é tão fraca e patética, que o público rir de situações que não são piadas. As pessoas são hostis com os alienígenas, mas resolvem acolher a Peregrina, uns tentam matá-la, outros se apaixonam. Sabe se lá o motivo.

Como não li o livro, não sei se a culpa é somente da história ou o erro foi na adaptação, porque tudo parece sem propósito. A vilã é abatida de forma banal e o conceito de guerra entre alienígenas e humanos desmorona. Na verdade, eles nunca estiveram em conflito, o filme quer mostrar realmente que as espécies diferentes podem ser amigas, mesmo que elas precisem do corpo de um ser humano para sobreviver.

A Hospedeira está longe de poder ser considerada uma obra de ficção científica, a história só utiliza os seres invasores como pano de fundo para uma história de amor mal construída. A narrativa inteira poderia ser transportada para os corredores de uma escola e o alienígena nada mais é que um jovem que não se adequa às consideradas “regras sociais”.

O filme não tem ação, até uma perseguição de carro acaba sem graça, entretanto, o a produção é bem feita e os atores se esforçam para dar o seu melhor. Saoirse se sai bem ao buscar características para diferenciar seus personagens. William Hurt (Jeb) salva o filme em várias pontas, ele serve como estepe num mar de verborragia adolescente sem propósito entre Melanie, sua invasora e os dois rapazes por quem elas estão apaixonadas. Infelizmente, A Hospedeira é uma péssima ficção científica, uma história de amor bobinha e uma mensagem de esperança fraca.

Uma História de Amor e Fúria conta a verdadeira face do Brasil

Filme de animação nacional? Antes de torcer o rosto para uma vertente pouco explorada no cinema brasileiro, dê uma chance a Uma História de Amor e Fúria. Com traços bem desenhados – algo quase esquecido no meio das animações computadorizadas –, o filme de Luiz Bolognesi apresenta a evolução do Brasil pelo ponto de vista do oprimido.

Além da perspectiva didática da história do país, o longa também consegue ser poético, dinâmico e reflexivo. O formato da animação se encaixa como uma luva para o espectador entrar no mundo de alegoria do filme. O protagonista homem/pássaro (Selton Mello) passa por diversos momentos da construção da identidade brasileira, desde a chegada dos portugueses à costa do país até o futuro em 2096.

Para cumprir a missão de guiar seu povo pelo caminho correto, o herói recebe um dom de poder voar, no entanto, ele apenas poderá alçar aos céus, como homem, quando cumprir sua tarefa. Seu primeiro desafio é desencorajar o líder da tribo dos índios Tupinambás a enfrentar os rivais Tupiniquins, que apoiavam os colonizadores. Assim, ele conta como as tribos indígenas foram dizimadas pelos estrangeiros.

Cada vez que o personagem é morto, ele se transforma em pássaro e vaga pelo mundo até reencontrar a sua amada Janaína (Camila Pitanga), que lhe dá a condição se tornar homem novamente. Por meio dessa fábula de amor e luta, o espectador se depara com aspectos da história do país esquecidos pelos livros escolares e percebe como uma sociedade pode calar diversos fatos e manipular uma memória social.

O que é registrado sobre o desenvolvimento da nossa sociedade é apenas aquilo que é de interesse do poder vigente, representado em determinados momento pelos colonizadores, o império português, a ditadura militar, a polícia federal e os milicianos. Cada época do Brasil teve um povo oprimido, pobre e guerreiro, mas massacrado pelo poder. O protagonista lamenta que sempre que entra numa luta, ele está ao lado dos mais fracos.

As reflexões sobre como cada situação de guerra – como a revolta dos Balaios e a Golpe Militar – influenciaram na construção das nossas mazelas sociais. O primeiro resultou no cangaço e o segundo, nas favelas. Desse modo, o espectador acompanha uma história de amor que atravessa o tempo, além de compreender mais sobre a política e as relações de poder sociais.

Luiz Bolognesi fez um ótimo trabalho de narrativa e diálogo, por isso, os traços simples da animação ficam em segundo plano. As dublagens de Selton Mello, Camila Pitanga e Rodrigo Santoro estão muito boas e seus personagens são tão envolventes, que ninguém repara que já conhece aquelas vozes de outros lugares.

A parte final do filme sobre o futuro é tão bem costurada com a nossa realidade, que chega a incomodar, pois facilmente poderíamos vislumbrar o suposto futuro como uma verdade prestes a acontecer. Como o personagem diz: “Viver sem conhecer o passado é andar no escuro”. Uma História de Amor e Fúria não prega ponto sem nó, tudo é muito bem estruturado, para impactar e abrir os olhos do público. Uma aula lúdica de história e de boa utilização do cinema. Gostaria de assistir mais projetos como este no nosso país, contando nossas crenças, tradições e cultura.

 

Crítica | Clássico Anna Karenina versão 2012

A adaptação do romance homônimo de Tostói é magnífica visualmente e a direção de arte brilha acima de toda a história. Com cenários que se transformam semelhante a um teatro, Anna Karenina, de Joe Wright (Desejo e Reparação), é um espetáculo visual do final do século XIX.

A trama conta a história de uma aristocrata da Rússia, durante o período Czarista. Apesar de ser rica, bonita, ter um bom marido e um lindo filho, Anna Karenina se sente vazia e busca aventura num romance com o jovem oficial Conde Vronsky. Após quatro adaptações para o cinema, em diferentes épocas, a história de Tostói ainda tem fôlego para emocionar e surpreender os espectadores.

Com uma excelente direção de arte, aliás, este é ponto alto do filme, a nova versão do clássico literário é totalmente voltada para o caso extraconjugal. As questões políticas sobre o panorama da vida no campo na Rússia, além das discussões sobre propriedades de terra importante na história original, são deixadas de lado. Por isso, o filme fica aquém do que poderia ser.

Dependendo apenas do espetáculo visual e a empatia dos protagonistas, Anna Karenina deixa de ser um filme histórico para ser apenas um romance feminista. Com uma das cenas mais bonitas de dança já feitas e trocas de cenários in loco, o diretor consegue dar um toque jovial a uma obra de época. No entanto, Keira Knightley parece que não saiu do personagem de Orgulho e Preconceito e não consegue exprimir carisma. Anna Karenina é uma mulher forte e desafiadora, coisa que a atriz não passa em momento algum.

O personagem se comporta com uma adolescente sonhadora e inconsequente, enquanto Aaron Taylor-Johnson aparece cheio de pompa e galante, mas nunca deixa muito claro os seus sentimentos pela protagonista. A trama paralela de Kitty (Alicia Vikander) encanta muito mais o público que a principal. Apostaram no charme e o olhar carinho da jovem atriz sueca para desenvolver uma bonita história, entretanto, parece um pouco perdida na grande apresentação cênica do filme.

Anna Karenina é uma bela produção, no entanto, deixa a desejar com a construção do roteiro e edição, além do elenco opaco. Jude Law aparece sem vigor para um líder político e submisso ao afeto da mulher, esta escolha de construção para o personagem soa falsa tanto para os conhecedores da história quanto os marinheiros de primeira viagem. A história trágica ganha mais uma releitura com um visual estupendo e mostra que os conflitos criados por Tostói podem ser atemporais.

Killer Joe: Matador de Aluguel reúne humor negro e trama policial

O polêmico diretor Wiliam Friedkin compôs uma obra de humor negro com toque de trama policial. Killer Joe – Matador de Aluguel é semelhante ao gênero explorado pelo gênio Quentin Tarantino, como o tom jocoso das situações, os acontecimentos grotescos e as cenas fortes de violência. Mas as analogias param por aí, o roteiro de Tracy Letts é original e perturbador.

Os personagens são bem desenhados de forma irônica com o enredo, cada um amarra muito bem as surpresas da história. Friedkin é conhecido por tentar espremer o melhor de cada ator, e é exatamente isso que ele faz com Emile Hirsch, Juno Temple e, principalmente, com Matthew McConaughey. O último, com certeza, exerceu o melhor papel da sua carreira, com um aspecto frio, calculista e imprevisível.

A narrativa começa com a ideia de Chris (Hirsch) tramar o assassinato de sua mãe para ficar com o dinheiro do seguro de vida. Junto com o pai Ansel (Thomas Haden Church) e a irmã Dottie (Juno Temple), ele planeja contratar um famoso matador de aluguel. O profissional Killer Joe (McConaughey) só aceita pagamento adiantado e Chris precisa desesperadamente do dinheiro para pagar uma dívida com mafiosos.

Todo o panorama é uma bomba prestes a explodir. A família conta com o dinheiro para pagar o assassino contratado, a sua dívida e ainda dividir entre os três membros da família, mais a madrasta (Gina Gershon). A mente de Tracy Letts arquiteta planos e reviravoltas inimagináveis, entretanto, tudo é plausível, apesar de também parecer absurdo.

A dupla Letts e Friedkin já trabalharam juntos no filme Possuídos (2006), um terror psicológico e lunático, muito descriminado pelo público. A história de Killer Joe é bem diferente, mas o filme herda a ambientação escura e jogo psicológico da trama anterior. O terceiro ato do filme entra para história com umas das cenas mais emblemáticas do cinema. A simulação do sexo oral com uma coxa de galinha, pode parecer desnecessária, provocante e chocante, mas foge de todos os padrões já visto pelos espectadores.

Todo elenco está ótimo no filme, mas Juno Temple, ainda pouco reconhecida por Hollywood, é um dos destaques. O seu personagem é o ponto chave da história e sua inocência é muito clara e bem representa por todos os elementos fílmicos. Killer Joe também pode ser visto como uma comédia de erros, fazendo analogia ao filme Fargo (1996), dos irmãos Cohen. O público não deve esperar muitas explicações, e sim, se deixar se envolver com os acontecimentos pouco convencionais.