Killer Joe: Matador de Aluguel reúne humor negro e trama policial

O polêmico diretor Wiliam Friedkin compôs uma obra de humor negro com toque de trama policial. Killer Joe – Matador de Aluguel é semelhante ao gênero explorado pelo gênio Quentin Tarantino, como o tom jocoso das situações, os acontecimentos grotescos e as cenas fortes de violência. Mas as analogias param por aí, o roteiro de Tracy Letts é original e perturbador.

Os personagens são bem desenhados de forma irônica com o enredo, cada um amarra muito bem as surpresas da história. Friedkin é conhecido por tentar espremer o melhor de cada ator, e é exatamente isso que ele faz com Emile Hirsch, Juno Temple e, principalmente, com Matthew McConaughey. O último, com certeza, exerceu o melhor papel da sua carreira, com um aspecto frio, calculista e imprevisível.

A narrativa começa com a ideia de Chris (Hirsch) tramar o assassinato de sua mãe para ficar com o dinheiro do seguro de vida. Junto com o pai Ansel (Thomas Haden Church) e a irmã Dottie (Juno Temple), ele planeja contratar um famoso matador de aluguel. O profissional Killer Joe (McConaughey) só aceita pagamento adiantado e Chris precisa desesperadamente do dinheiro para pagar uma dívida com mafiosos.

Todo o panorama é uma bomba prestes a explodir. A família conta com o dinheiro para pagar o assassino contratado, a sua dívida e ainda dividir entre os três membros da família, mais a madrasta (Gina Gershon). A mente de Tracy Letts arquiteta planos e reviravoltas inimagináveis, entretanto, tudo é plausível, apesar de também parecer absurdo.

A dupla Letts e Friedkin já trabalharam juntos no filme Possuídos (2006), um terror psicológico e lunático, muito descriminado pelo público. A história de Killer Joe é bem diferente, mas o filme herda a ambientação escura e jogo psicológico da trama anterior. O terceiro ato do filme entra para história com umas das cenas mais emblemáticas do cinema. A simulação do sexo oral com uma coxa de galinha, pode parecer desnecessária, provocante e chocante, mas foge de todos os padrões já visto pelos espectadores.

Todo elenco está ótimo no filme, mas Juno Temple, ainda pouco reconhecida por Hollywood, é um dos destaques. O seu personagem é o ponto chave da história e sua inocência é muito clara e bem representa por todos os elementos fílmicos. Killer Joe também pode ser visto como uma comédia de erros, fazendo analogia ao filme Fargo (1996), dos irmãos Cohen. O público não deve esperar muitas explicações, e sim, se deixar se envolver com os acontecimentos pouco convencionais.

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 05/06/2013, em Cinema, Crítica e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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