A Hospedeira é uma história ruim de romance adolescente

A nova adaptação de um livro de Stephenie Meyer chega aos cinemas. Normalmente, deixamos um pouco de lado a referência literária de um filme e focamos na produção, mas quando o pior do longa é exatamente ser baseado numa história fraquíssima, não tem como deixar pra lá. A Hospedeira  (The Host) segue o mesmo padrão da Saga Crepúsculo, com um triângulo amoroso e o envolvimento entre seres de outro mundo.

Sem quase nenhuma explicação, a Terra foi ocupada por alienígenas de forma, aparentemente, passiva, no entanto, existe um grupo de resistência e muitas pessoas preferem se matar a ter o seu corpo tomado por esses seres. O ser humano se torna hospedeiro desses invasores, durante o processo sua mente é extraída, enquanto o corpo permanece intacto.

Contudo, a pessoa não volta a ser como antes e passa a viver numa existência pacífica, em que ninguém mais mente, engana ou tenta tirar proveito do outro. Segundo os novos habitantes, os humanos estavam destruindo o planeta Terra e eles vieram salvar o nosso mundo. Só que numa história de mundo reabitado por seres alienígenas, não faz sentido ter casas, bibliotecas e hotéis abandonados. Muitas coisas na história não fazem sentido, se os alienígenas são incapazes de agir com violência ou enganar, como eles caçam os humanos?

Melanie Stryder (Saoirse Ronan) é uma das poucas remanescentes da espécie humana, junto com o seu irmãozinho Jamie (Chandler Canterbury) e Jared (Max Irons), por quem é apaixonada. Até que um dia, ela é encurralada por buscadores e para salvar seu irmão ela se joga de uma janela. Surpreendentemente, Melanie não morre, mas ela é capturada e recebe Wanderer/Peregrina no seu corpo.

O dever do alienígena é vasculhar sua mente até encontrar uma dica que a leve até onde estão os outros seres humanos. Para obter essa informação, a Buscadora (Diane Kruger) tenta de todas as formas pressioná-la, no entanto, Melanie está viva na mente de Peregrina e trava vários diálogos com ela e chega até comandar as suas ações. Desse modo, a alienígena acaba sentindo grande parte das emoções de sua hospedeira.

Peregrina e Melanie, no mesmo corpo, acabam reencontrando seu irmão, namorado, tios e outros humanos, sobrevivendo dentro de um vulcão adormecido. A partir deste ponto do filme, os conflitos alienígenas passam a ser a dúvidas bobas de qualquer adolescente e o desenrolar da trama é tão fraca e patética, que o público rir de situações que não são piadas. As pessoas são hostis com os alienígenas, mas resolvem acolher a Peregrina, uns tentam matá-la, outros se apaixonam. Sabe se lá o motivo.

Como não li o livro, não sei se a culpa é somente da história ou o erro foi na adaptação, porque tudo parece sem propósito. A vilã é abatida de forma banal e o conceito de guerra entre alienígenas e humanos desmorona. Na verdade, eles nunca estiveram em conflito, o filme quer mostrar realmente que as espécies diferentes podem ser amigas, mesmo que elas precisem do corpo de um ser humano para sobreviver.

A Hospedeira está longe de poder ser considerada uma obra de ficção científica, a história só utiliza os seres invasores como pano de fundo para uma história de amor mal construída. A narrativa inteira poderia ser transportada para os corredores de uma escola e o alienígena nada mais é que um jovem que não se adequa às consideradas “regras sociais”.

O filme não tem ação, até uma perseguição de carro acaba sem graça, entretanto, o a produção é bem feita e os atores se esforçam para dar o seu melhor. Saoirse se sai bem ao buscar características para diferenciar seus personagens. William Hurt (Jeb) salva o filme em várias pontas, ele serve como estepe num mar de verborragia adolescente sem propósito entre Melanie, sua invasora e os dois rapazes por quem elas estão apaixonadas. Infelizmente, A Hospedeira é uma péssima ficção científica, uma história de amor bobinha e uma mensagem de esperança fraca.

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 19/10/2013, em Cinema, Crítica e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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