Review #1 – Friends da 1ª a 10ª temporada

Apesar de o seriado Friends ter acabado 10 anos atrás e ser constantemente reprisado pela Warner, eu não tinha assistido todos os episódios e o analisado perfeitamente até ganhar o box com as 10 temporadas no último Natal. Após três meses de maratona, com dias que assisti até oito episódios seguidos, eu recomendo que as pessoas vejam todos os capítulos, não apenas as reprises, e se lembre de momentos leves, confusos e engraçados da vida e, assim como eu, dê gargalhadas sozinhas no meio da noite, além de cantarolar I’ll be there for you…

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Primeiros episódios e o tempo

Assistir um programa de 1994 é interessantíssimo. Primeiro, naquela época, eu tinha cinco anos e nunca acompanharia as mudanças que a sociedade estava passando no nível tecnológico e social. Em alguns episódios Chandler (Matthew Perry) aparece no trabalho com aqueles computadores de tela preta e ainda apresenta um notebook como uma revolução fantástica que imprime o que você escreve. Você pode ver isso em filme, mas acompanhar em um seriado é bem diferente.

Os telefones são gigantes e nenhum deles utiliza celular ou envia e-mails. Rachel quando decide procurar um emprego, ela digita e imprime o seu currículo, no entanto, monta centenas de cartas para enviar às empresas. As fitas de vídeo também têm verdadeiro destaque em todas as temporadas, desde filmes pornográficos a gravações de sexo e formatura. O cassete ainda está presente para a gravação de músicas que você copilava para dar a alguém especial. É uma viagem no tempo.

Primeiras impressões

O seriado começa com os personagens na faixa dos 24 a 26 anos e com a preocupação sobre o que fazer da vida depois da faculdade. Carreira, casamento, filhos, divórcio, sobretudo, amizade são os temas principais da trama. Apesar da distância cultural e temporal, é fácil se identificar com as suas dificuldades, se você tem a mesma idade e passa pelos mesmos dilemas universais da juventude.

Os vinte e poucos anos e a chegada dos 30 é o momento de transição mais precioso da vida, em minha opinião, pois é quando você tem tudo resolvido ou tudo em aberto. Preciso de um trabalho para me sustentar agora, mas qual será minha carreira? Tenho que encontrar alguém com quem quero formar uma família? Eu quero ter filhos com esta pessoa? De forma engraçada vamos vivendo tudo isso ao longo de 273 episódios, seja com a estupidez de Joey (Matt LeBlanc) ou as esquisitices da Phoebe (Lisa Kudrow).

Melhores Momentos

Apesar do casal Ross (David Shwimmer), e Rachel (Jennifer Aniston) ter demorado duas temporadas para acontecer, o primeiro beijo deles foi uma das cenas mais bonitas do programa ao som de With or Without You, do U2. Assim como o capítulo de separação dos dois foi emocionante, porque Rachel falou de coração e as consequências foram surpreendentes para os espectadores. O caso rendeu até uma piada no último episódio.

No final da quarta temporada para quinta, temos o surpreendente caso de Chandler e Monica (Courteney Cox)! Conforme a descoberta de cada um, as cenas vão se tornando mais engraçadas até o maravilhoso episódio 5×14 The One Where Everybody Finds Out (Aquele em que todo mundo descobre), em que Joey tenta guardar o segredo de que Chaldler e Monica sabem que Rachel e Phoebe sabem que eles sabem que elas sabem. Extremamente confuso e divertido!

Já a entrada de Mike (Paul Rudd) no nono ano foi o melhor acontecimento daquela temporada, todos os episódios dele com Phoebe e Ross foram agradáveis, apesar do enredo fraco de 2003. Finalmente, os produtores encontraram um ator compatível para Lisa Kudrow, após muitas tentativas desagradáveis e outras até constrangedoras, como o namorado policial Gary (Michael Rapaport), na segunda temporada, e Parker (Alec Baldwin), na oitava.

A participação de Janice (Maggie Wheeler) até o final da série, pelo menos, uma vez a cada temporada como elemento surpresa foia a cereja do bolo. Todas as aparições foram engraçadas e não deixou o passado de Chandler ser apagado da mente dos expectores. Ela realmente deu a volta por cima se tornando uma personagem detestável e adorável ao mesmo tempo.

Não posso esquecer do final da quarta temporada, quando Ross troca o nome de Emily, sua noiva, no altar pelo da Rachel. Para fechar, há ainda a revelação da gravidez de Rachel no final da sétima temporada, realmente uma surpresa! Vale mencionar mais dois episódios divertidíssimos, o que eles jogam futebol americano no Dia de Ações de Graça (3×09 – The One with the Football) e em que Ross ensina sua técnica de ficar sempre alerta (6×17 – The One with Unagi).

Participações especialíssimas

Quando os familiares dos seis protagonistas aparecem dá uma sensação maior de harmonia. Os pais do Chandler foram os melhores neste sentido. Adorei o “casal” formado por Charles Bing (Kathleen Turner) e Nora Tyler Bing (Morgan Fairchild). Outro destaque foram as irmãs patricinhas de Rachel, Jill (Reese Whitherspoon) e Amy (Christina Applegate), somou bastante carisma ao espetáculo.

Já entre os namorados, a presença de Richard (Tom Selleck) foi fenomenal como o grande amor de Monica e deu um tom dramático a mais ao final da sexta temporada, quando Chandler pede Monica em casamento. Aliás, este é o episódio mais emocionante de toda série, 6×25 The One with the Proposal: Part 2 (Aquele do Pedido de Casamento: Parte 2).

Outro importante convidado foi, sem dúvida, Paul (Bruce Willis), pai da universitária Elizabeth (Alexandra Holden). Além de atanazar a vida de Ross, o qual namorava a sua filha, ele ainda teve um caso com a Rachel e cenas divertidíssimas.

Vale destacar as curtas participações de Sean Penn (Eric), Brad Pitt (Will Colbert), Gary Oldman (Richard Crosby), Susan Sarandon (Cecilia), Jon Favreau (Pete), Greg Kinnear (Dr. Benjamin Hobart), Freddie Prinze Jr. (Sandy), Julia Roberts (Susie Moss), Dermot Mulroney (Gavin Mitchell), Brooke Shields (Erica Ford), Anna Faris (Erica) e até a pequena Dakota Fanning (Mackenzie) e Jean Claude Van Dame. Ainda percebi as estrelas de outros seriados como John Stamos (Três É Demais, Glee) e Eddie Cahill (CSI, Under The Dome).

Foram muitos! Estes são os que eu me lembro após uma grande maratona. Se outros não estão aqui é porque não causaram uma boa impressão.

Piores Momentos

Friends entrou para histórias, mas também houve muitos equívocos nesta trajetória. O pior deles foi a tentativa de romance entre Joey e Rachel, algo sobrenatural e que não combinava nenhum pouco com a personalidade de ambos os personagens. Para mim, um dos motivos da nona temporada ter sido tão fraca. Outro casal que deu sono foi Ross e Mona (Bonnie Somerville), de todas as namoradas de Ross, a pior, seguida por Julie (Lauren Tom,), entretanto, acredito que o objetivo da trama era que elas fossem odiada.

O romance de Monica com o multimilionário Pete também forçou a barra, não rolava química entre os atores e o motivo do término foi superficial, apenas para ele saísse de cena. Por outro lado, quem saiu da vida de Ross foi o filho primogênito Ben (Cole Sprouse). Com a chegada de Emma (Noelle Sheldon), o menino foi mencionado algumas vezes mais nunca mais visto desde a sétima temporada. Adoraria ver Ben interagindo com a irmãzinha.

No final o único desapontamento é que todo mundo tem um capítulo fechado na história com seus desejos realizados, apenas Joey continua na mesma e, por isso, para ele é mais difícil aceitar as mudanças dos companheiros. Poderiam ter dado a ele um final também cheio de perspectivas futuras, não acham?

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Comparações

Quem não quiser comprar o box, que já chegou a bagatela de R$ 85,00 em promoção, pode ver todas as temporadas na Netflix. A qualidade dos atores é inquestionável e o sucesso se deu porque o seriado nunca perdeu seu tom cômico, mesmo dando espaço de sobra para a emoção.

É indiscutível a comparação com How I Met Your Mother (HMYM) em vários aspectos. O programa da CBS começou em 2005, ano seguinte ao término de Friends, e finalizou na nona temporada em 2014. Em HMYM, o grupo de amigos sempre se encontrava no MacLaren’s Pub, um tipo de cafeteria Central Perk, além disso, ambos os enredos ocorriam em Nova York e criticavam as cidades ao redor.

Por alto podemos fazer comparações básicas entre os personagens de Ted (Josh Radnor) e Ross. Os dois são o nerds da turma e desajustados amorosamente. Já a Robin (Cobie Smulders) e a Rachel são o modelo de mulheres perfeitinhas que começam tropeçando na carreira, mas acabam crescendo e, entre idas e vindas, é o objeto de desejo do personagem central.

Em Friends é difícil apontar um protagonista, mas Ross e Rachel sempre formaram o casal mais famoso, enquanto que em HMYM, Ted é o narrador e protagonista declarado. A amizade de Ted e Marshal (Jason Segel) vêm desde a faculdade, assim como Ross e Chandler. Além dessa última coincidência, nos dois shows rolavam disputas para saber quem é o melhor amigo de quem. Por fim, Joey e suas diversas mulher lembra bastante as conquistas intermináveis de Barney (Patrick Neil Harris).

Outros sitcoms também beberam da fonte de Friends, é possível ver semelhanças na dinâmica de apartamentos em The Big Bang Theory (2007–), de relacionamentos em Happy Endings (2011-2013), este mal sucedido, e até em New Girl (2011–). Depois de 10 anos no ar com uma audiência fervilhando, com certeza, Friends ainda vai influenciar centenas de roteiristas pelo mundo.

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 11/03/2015, em Séries e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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