CD apresenta versões indie para as músicas do grupo ‘Raça Negra’

Particularmente, me agrada muito descobri novas versões de músicas já consagradas pelo grande público. É como redescobrir a construção musical, ainda mais quando essa melodia antiga ganha um gênero musical diferente. Por isso, eu gosto bastante do seriado Glee, cada episódio o espectador é brindado com versões de músicas super conhecidas. No último episódio (4×04), por exemplo, foram executadas duas belíssimas interpretações para “Don’t Speak”, do No Doubt, e “The Scientist”, do Coldplay. Mas esse texto não é sobre o seriado e sim sobre um dos grupos de pagode mais famosos do Brasil, que fabricaram hits durante toda a década de 1990 e é homenageado alguns anos depois, o Raça Negra.

Inesperavelmente, jovens músicos resolveram homenagear o grupo de pagode e fizeram regravações das principais faixas da carreia do Raça Negra. São 12 composições nas vozes de artistas e grupos da novíssima geração do rock indie brasileiro, como Letuce, Minha Pequena Soundsystem e Nana, só para citar alguns, que compõem tons folk, soft-rock, jazz, reggae e pop rock. O disco virtual foi batizado de “Jeito felindie”, em homenagem a música “Jeito Felino” e está disponível para download no site Fita Bruta.

O idealizar e produtor desse tributo, o jornalista Jorge Wagner, disse em entrevista que o objetivo dessa obra era experimentar as semelhanças dessas composições com os gênero indie, sem ironias e preconceitos, reconhecendo apenas a qualidade pop das músicas. O produtor possui o desejo de levar esse projeto para os palcos e transformá-lo em um produto físico. A ideia agradou o vocalista e compositor do Raça Negra, Luís Carlos, que já declarou: “Não consigo explicar a felicidade que esse projeto nos dá. É um reconhecimento inesperado para nossa banda, que durante muito tempo foi criticada por trazer elementos como metais e teclado para o pagode”.

Não sou fã de pagode, mas tenho o DVD do Raça Negra  na minha estante. Acontece que me simpatizo muito com as composições de Luís Carlos e se é para apontar um dos maiores grupos de pagode para mim, sem dúvidas, é o Raça Negra. Afinal, cantei muito: “Deus me livre te amar, mas eu te amo….”

Me apaixonei por esse tributo e se tivesse um show, eu estaria presente. Segue uma pequena crítica de cada faixa do álbum virtual, apesar de ter implicado com algumas interpretações, gostei do resultado e da oportunidade de conhecer essa turma de músicos, ainda com pouco espaço nas mídias.

Leiam, mas também ouçam e tirem suas próprias conclusões.

1. Cigana – Lulina

O disco começa meio sem graça com essa versão da cantora de Recife Luciana Lins, ou melhor, Lulina, que desponta nos palcos de São Paulo e já teve uma música no seriado “Alice”, da HBO. Apesar de ter gravado apenas um álbum (Critalina, 2009) em estúdio, ela possui oito gravados em casa.

2. Cheia de Manias – Vivian Benford

Gostei muito de Vivian Benford cantando “Cheia de Manias” em ritmo folk rock. O tom de voz da cantora carioca é bonito e suave, o que traz um toque especial para canção que apresenta os defeitinhos de todas as mulheres. Vivian é publicitária e durante algum tempo integrou o grupo “Perdidos na Selva’, que tocava cover de bandas do anos 80. Apenas em 2010, ela lançou o seu CD virtual “Jardins”.

3. Te quero comigo – Minha Pequena Soundsystem

Achei razoável a adaptação da banda Minha Pequena Soundsystem para “Te quero comigo”. Primeiro, porque o ritmo ainda é de pagode, apesar de lembrar os acordes samba-rock. Além disso, a voz do vocalista não é tão envolve quanto a de Luís Carlos. O que mais difere nessa versão são os sons de estúdio que imitam espaço e ruídos psicodélicos. A banda carioca criou ainda um clipe para a música, em que eles denominam como: “traz o balanço do original, acrescido de synths setentista, beats de Manchester e todo o ardor canastrão de uma desilusão amorosa”

4. Deus  Me Livre – hidrocor

Me chateou bastante a versão que a banda hidrocor fez para a minha canção preferida do Raça Negra. A música só empolga um pouco depois de um minuto e não consegue transmitir a emoção que a composição precisa. Na voz do vocalista Marcelo Perdido, a letra da música ganha formas de dor de estômago do que de uma um coração partido. Junto com Perdido compõe a banda o baterista Rodrigo Caldas. No início de 2012, eles lançaram o álbum “edifício Bambi”, que contou com a participação de Lulina e Tatá Aeroplano.

5. Maravilha – Giancarlo Rufatto

A canção “Maravilha” ganhou batidas pop e acordes de guitarra, além disso a voz do intérprete me lembra o sumido cantor Maurício Manieri. O curitibano Giancarlo, no entanto, tem seu mérito em tornar a música numa baladinha romântica, bem característico de suas composições. Ele já lançou três álbuns, alguns EP’s e dezenas de singles. Este ano, Giancarlo distribuiu na web o disco “A Vida Secreta das Referências”, que me ganhou só pelo nome, vou conferir em breve as faixas.

6. Quando Te Encontrei – Amplexos

Uma mistura de viola e reggae. Com a banda Amplexo, “Quando Te Encontrei” apresenta um ritmo acertado fora do pagode e soa natural até para que já ouviu a versão original centenas de vezes. Nunca ouvi o som dos Amplexos, mas gostei muito dessa trabalho e vou procurar mais sobre essa banda carioca. Em 2008, eles lançaram o álbum “Bolacha Discos”.

7. Vida Cigana – Nevilton

O rock aparece mais forte nessa faixa por meio da bateria e da guitarra elétrica da banda do interior do Paraná. Nevilton tem a pegada mais forte no rock de todo o CD, com acordes carregados, entretanto, o vocalista poderia ter uma voz mais potente para acompanhar o próprio som dos instrumentos. Os roqueiros foram vencedores do Prêmio Multishow 2011, na categoria Experimente.

8. Você não Sabe de mim – Radioviernes

Nessa oitava faixa, a banda Radioviernes também carrega nos acordes e soa como um grupo da época da Jovem Guarda. Essa pegada sessentista combina com a temática da música e o resultado é bem agradável. A banda paulista é super nova, nasceu em 2010 é até hoje lançou três singles e um EP. Agora se prepara para gravar seu primeiro CD em estúdio.

9. É Tarde Demais – Harmada

O CD apresenta ainda uma das músicas mais emblemáticas do grupo, que o próprio Luís Carlos já declarou que compôs baseado em uma história real, que aconteceu com um amigo dele. Contudo, a interpretação do vocalista da banda Harmada é fraca e sem muita criatividade, o que foge do padrão do disco e soa falso. A música de lamento se torna em um depoimento raivoso. Harmada, entretanto, aparece em vários rankings de 2011, sendo apontada como a melhor revelação do ano. A Música “Vulgar para Corações Surdos”, do primeiro disco, entrou em algumas listas de melhores lançamentos de 2011, como O Globo, Acesso Total e Atividade FM.

10. Jeito Felino – Letuce

Letuce apresenta sua versão de “Jeito Felino” em tom folk teatral, como se fosse um som experimental, mas o resultado é simples e bonito. Pelo menos para o público carioca, Letuce dispensa apresentações, o texto lírico-musical já é conhecido e cai como uma luva para essa regravação. Eu adoro a voz de Letícia Novais, que compõe a dupla junto com seu marido Lucas Vasconcellos. A junção de música e amor não poderia ser melhor.

11. Me Leva Junto com Você – Orquestra Superpopular

Orquestra Superpopular me lembrou no início o grupo Teatro Mágico, mas depois a voz doce da vocalista Yesica Sales me ganhou completamente. Sua interpretação de “Me Leva Junto Com Você” torna a música um clássico da MPB, com arranjos de Bossa Nossa no piano. Nascida no final de 2010, a orquestra propõe produzir um som “superpopular” que agrade todos os gostos. A banda é composto por seis cariocas:  André Lemos, Tarso Gusmão, Victor Hugo, Pedro Poema, Yesica Sales e Gabriel Paes.

12. Sozinho – Nana

Adorei essa versão. A voz da baiana Ananda Lima, isto é, Nana acompanhada de acordes delicados, instrumentos de cordas e flauta soa tão melódica e inocente que nos transporta para um cenário musical da década de 1970. A composição se transforma em uma canção de desilusão amorosa juvenil, sem mudar nenhuma letra. Ela toca junto com o músico João Vinícius, que acompanha com o violão, guitarra, teclado e escaleta. Com objetivo de ter uma abordagem mais eletrônica, o computador é o terceiro integrante desse grupo. É a regravação que eu mais gostei do álbum.

 

E vocês o que acharam?

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 03/11/2012, em Música e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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