Indomável Sonhadora mescla fantasia e sofrimento

Simples, intenso e emocionante são palavras que descrevem como é o primeiro trabalho do jovem cineasta Benh Zeitlin. Com uma abordagem que foge dos padrões do cinema norte-americano, Indomável Sonhadora (Beasts of the Southern Wild) mostra um cenário ainda pouco explorado na ficção. O mundo de Hushpuppy (Quvenzhané Wallis) parece tão irreal na atualidade, que nos esquecemos que ali é representado o sul dos Estados Unidos.

Um modelo de vida fora do padrão pode assustar ou encantar o público, dependendo muito do referencial de cada um. Contudo, não podemos deixar de ressaltar o grande trabalho de Zeitlin, que com apenas US$ 1, 8 milhão conseguiu retratar com satisfação a passagem do furacão Katrina pelo país da América do Norte.

Além da ótima produção, o filme conta com um brilhante roteiro que nos coloca sempre em disputa entre a realidade e a ilusão. As conversas da pequena Hushpuppy com a mãe são de aquecer o coração, já a maneira como a menina é criada por seu pai Wink (Dwight Henry) é rude e distante. No meio dessa dicotomia, observamos o desenvolvimento de uma comunidade independente e uma menina com hábitos nunca compartilhados na nossa sociedade.

Tanto a personagem quanto a atriz principal apresentam um desempenho gigante para sua idade. Quvenzhané Wallis tinha cinco anos quando fez o teste para o filme, e os produtores não queriam ninguém menor de seis anos, no entanto, a menina conseguiu o papel e fez a pequena moradora da comunidade “Banheira” brilhar no mundo inteiro. Com uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz deste ano, sendo a mais nova candidata na categoria, Quvenzhané comprovou o seu talento. Apesar de provavelmente não levar a estatueta, é um começo de carreira animador.

O intérprete Dwight Henry também nunca tinha atuado antes do filme e conseguiu perfeitamente demonstrar os lados perturbado, doente e amoroso do pai de Hushpuppy. O mérito do desempenho de um elenco inexperiente é obra de Benh Zeitlin, que conseguiu extrair de cada um deles cenas arrebatadoras, como o incêndio provocado pela menina e a briga entre pai e filha.

Apesar do cenário rústico e acabado, Indomável Sonhadora pode ser considerado uma fábula, em que a menina percorre um caminho para saber aprender a lutar contra as grandes feras chamadas “aurochs”. Como todo conto de fadas, o inimigo é sempre uma metáfora dos desafios da vida real, nesta história a menina de seis anos tem que aprender a viver com a solidão. Com certeza é uma história para não ser esquecida, como deseja Hushpuppy.

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 08/05/2013, em Cinema, Crítica e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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