Crítica | As Sessões mistura risos e lágrimas

Diferentes das últimas produções sobre superação, a obra de Ben Lewin é um comédia dramática com frases impactantes e diálogos inteligentes. Apesar de ser uma história emocionante, As Sessões (The Sessions) tem um humor leve e uma dose de erotismo. A partir das curiosidades e dúvidas de Mark O’Brien (John Hawkes), o filme aborda um tema polêmico e pouco discutido socialmente: a vida sexual dos deficientes físicos.

O longa, entretanto, vai além da temática sobre deficiência e compreende outro assunto também pouco explorado, como o trabalho das terapeutas sexuais, descrita como surrogate partner, isto é, uma “parceira substituta”. O trabalho dessas profissionais é ajudar e treinar as pessoas a terem uma vida sexual saudável com seus verdadeiros companheiros afetivos. Com delicadeza e maturidade, o diretor consegue desenvolver o tema sem constranger o mais pudico espectador.

Aos 36 anos, Mark nunca teve um relacionamento amoroso ou uma relação sexual. Ele contraiu poliomielite aos seis anos de idade, a doença o fez perde quase todo os movimentos do corpo. No filme, Mark respira através de um pulmão artificial e não consegue ficar em outra posição a não ser deitado. Antes de decidir sobre a sessão com uma terapeuta do sexo, ele consulta o padre Brendan (William H. Macy) e a partir desse momento se torna seu amigo e confidente, o que nos rende as cenas mais engraçadas.

A decisão de Mark ocorre porque ele sempre ficava constrangido a ejacular involuntariamente perante os seus enfermeiros, mas também gostaria de encontrar uma companheira, assim como as outras pessoas. Desse modo, ele conhece Cheryl Cohen Greene (Helen Hunt), que aos poucos lhe ensina a conhecer o próprio corpo e a explorar o de uma mulher.

John Hawkes e Helen Hunt estão ótimos em cena, ambos conseguem transmitir com sutileza e grande sensibilidade as emoções de seus personagens. Os olhos brilhando de Mark durante as conversas com padre ao relatar suas novas experiências são hipnotizantes, além de serem, ao mesmo tempo, inocentes e lascivos. Observamos a descobertas sexuais de Mark com a satisfação de uma criança a ganhar um brinquedo novo.

Apesar de ter cenas de nu frontal, em nenhum momento o filme é apelativo ou vulgar. Helen Hunt está tão natural nas cenas de nudez, que é difícil o público se sentir incomodado. Com este roteiro, Lewin brinca com o conhecimento sobre sexo das pessoas e arrisca ainda pitadas de humor negro. Além do bom desenrolar da história, a trama é completa por relações emocionais, desde Mark com uma de suas acompanhantes até o relacionamento de Cheryl com o marido.

Com ensinamentos sobre a vida e o valor dado às pequenas coisas, As Sessões é um filme que faz refletir e traz grandes aprendizados. A montagem da narrativa pela perspectiva de Mark, mostrando suas conversas e os acontecimentos paralelamente traz mais graça e atividade à história. Baseado em fatos reais, além de personagens marcantes e bons diálogos, o filme conta com o ótimo desempenho do elenco, dos protagonistas aos coadjuvantes.

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 27/04/2013, em Crítica e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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