Arquivos do Blog

Crônica#5 | 31 de Agosto, Dia do Golpe

Sabe quando você se pergunta por que alguém pixou esse muro? Por que alguém quebrou essa vidraça? Por que alguém ateou fogo nesse carro? Eu acredito que eles fizeram porque precisavam fazer alguma coisa. Precisavam mostrar que estava ali e não podiam aceitar aquela normatização da situação.

Estou aqui sentada, enquanto as sensações estranhas, que nomeamos de revolta, raiva e fúria, percorrem os nervos. Não faço nada. Tudo está desmorando e eu não estou fazendo nada para deter. Essa impotência me assombra. Quem conseguiu desorganizar a trajetória e dizer o que é certo quando todos sabem que está errado?

Se eu tacar uma pedra, se eu incendiar as ruas, se eu criar o caos, pelo menos vão saber que não aceitei o golpe quieta. Como a gente apanha e não reage? A terceira lei de Newton diz para cada ação há uma reação. Como posso me acomodar e dizer que não é comigo? É comigo, é com ele, é com ela, é com todos.

Tenho medo de acordar em uma terra de zumbis grunindo sem saber o que, se conformando com a desgraça, reclamando para os céus – acreditando que existe algo lá – e não fazendo nada aqui. Infelizmente, acho que esse temor já está aqui. Hoje se instalou. Eu não fiz nada para impedir

Anúncios

Resenha#6: The Walking Dead – O Caminho Para Woodburry

Após os acontecimentos do primeiro livro The Walking Dead – A Ascensão do Governador, a segunda obra é focada em Lilly Cauel, uma jovem que tenta sobreviver ao caos gerados a partir dos ataques zumbis. A nova trama começa num acampamento improvisado no meio de uma floresta, habitado grande parte por famílias com filhos.

Lilly é uma das moradores do local, no entanto, depois de alguns incidentes e do jovem Josh Hamilton ser expulso da pequena comunidade, ela decide sobreviver na estrada com o rapaz. Juntos com eles parte mais três pessoas: Bob, Megan e Scott.

Caminho Para Woodburry

Durante o percurso, eles têm que lidar com o número crescente de zumbis, encontrar um lugar seguro para passar a noite e ainda buscar suplementos. Além dos mortos-vivos, as próprias pessoas são o grande perigo para o grupo. Com Megan e Scott transando e pensando apenas em drogas, Bob se afogando na bebida alcoólica, Lilly se encontra sozinha e confusa em relação a Josh. O livro aborda bastante as confusões de sentimento da protagonista.

No meio de conflitos pessoais, os cinco acabam encontrando o grupo liderado por Martinez, que vive em Woodburry, e os convida se juntar à comunidade. Comandado pelo Governador, que tomou o poder no livro anterior,  Woodburry parece um lugar seguro, com muros e barreiras, além disso, possui comida e produtos de higiene. As coisas, no entanto, funcionam pelo modelo de escambo. O que faz desencadeia os principais conflitos da história.

Nesta segunda etapa, o leitor conhece mais sobre as características e ideias sombrias de Philip Blake, o Governador. Uma das suas principais criações sinistras é a arena de luta até a morte entre as pessoas que desobedecem suas regras. Logo depois, ele coloca zumbis na brincadeira, assim como vemos no seriado.

Caminho Para Woodburry 2

Após alguns acontecimentos marcantes, Lilly com apoio de mais algumas pessoas tentam armar uma rebelião contra o Governador e sentirem um pouco mais livres. Diferente do primeiro livro, O Caminho Para Woodburry tem menos ação e a ameça está sempre numa horda de zumbis à espreita. Contudo, Lilly está longe de ser uma heroína ou salvadora dos oprimidos. Além disso, a personagem não é carismática e deixa o leitor sempre indeciso sobre suas atitudes.

Com este livro, podemos acompanhar a passagem do inverno para os personagens e a degradação dos valores humanos. Comparado ao primeiro volume, ele é mais fraco por não ter grandes reviravoltas ou momentos impactantes. A leitura vale a pena, mas quem espera momentos de tensões como em A Ascensão do Governador pode se decepcionar

Separei um trecho do livro que gostei bastante sobre a descrição dos zombies e seu progresso de caça. Aprecio a forma de escrita de Robert Kirman e Jay Bonnsinga, eles possuem um ritmo de palavras bem encaixados e descrições bem detalhadas e explicativas.

“A horda é tão densa que, ao longe, o topo de suas cabeças apodrecidas poderia ser confundido com uma enchente escura, repulsiva e lenta percorrendo a região. Sem qualquer razão além do inexplicável comportamento dos mortos – seja por instinto, olfato, feromônios ou acaso – a horda começa a chapinhar através da lama para o noroeste, diretamente em direção ao centro populacional mais próximo em seu caminho – a cidade chamada Woodbury -, que está a pouco menos de 13 km de distância.”

O autor e criador da série de The Walking Dead já confirmou a produção do terceiro livro, no qual poderá aparecer os personagens Rick e Michonne. É esperar para ver, porque muita coisa ainda está em aberto nesta história. Não sabemos até que ponto os livros são um prelúdio do seriado de TV ou HQ, ou apenas novas histórias com velhos personagens.