Crônica#2 | O Fundo de Tela do Celular

Olho para foto de plano de fundo do meu celular. Ela me lembra que existe uma incerteza angustiante dentro de mim. A imagem me mostra que eu tinha uma pessoa a minha direita disposta a permanecer ali durante o click da câmera fotográfica e, talvez, por muito mais tempo além do que a fotografia poderia registrar. O sorriso forçado, no entanto, revela a antipatia pela gravação da imagem, de guardar a memória de algo bom, ou mais ou menos, para ser mais fácil quando deixá-lo.

Do outro lado, eu. As minhas mãos apoiadas no seu braço representavam a necessidade de segurá-lo, de mantê-lo ao meu lado, mesmo que a sua vontade fosse outra completamente diferente. Suas mãos penduradas diziam que ele não queria se agarrar a nada nesse mundo, nada que o acorrentasse em algum lugar. Ele já vivia acorrentado, com uma âncora dentro de si mesmo.

Eu abaixo, ele acima. A decisão da foto era minha. A aceitação foi dele. A conclusão é que, se um olhar diz mais do que mil palavras, uma imagem traduz toda uma verdade velada do nosso inconsciente, das nossas próprias mentiras. Cada sorriso forçado ao meu lado era uma felicidade inventada. Uma tristeza guardada até o ponto de explodir e atingir os que estão ao seu redor. Sorrisos falsos conseguem enganar por um tempo, mas não para sempre.

Deleto a imagem do fundo da tela. Coloco uma obra de arte pintada por um desconhecido para esconder o desespero do que querer mostrar ser, antes de realmente ser. A fotografia se tornou um troféu nos tempos atuais em vez de uma lembrança. Apago as incertezas e as interpretações pungentes, decido viver cada momento. A fotografia, afinal de contas, é apenas um segundo de uma longa caminhada. Pode significar algo ou nada.

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Fotógrafo britânico mostra rostos na Cracolândia

Descobri por meio de uma matéria da Folha de S. Paulo o trabalho do fotógrafo britânico Sebastian Palmer. Aos 36 anos, o estrangeiro se divide entre morar em Londres e em São Paulo. Ele frequenta a cidade brasileira desde 2012 e, de lá pra cá, se interessou pela região da Cracolândia.

Com ajuda do programa da prefeitura De Braços Abertos, que ofereceu contato de um ex-usuário de crack, e de sua parceria desde os primeiros trabalhos no Brasil, Joana Pires, 34 anos, o fotógrafo registrou o rosto de cerca de 50 pessoas para o projeto Ghosts (em português, Fantasmas).

De acordo com o profissional, ele desenvolve ensaios que documentam os setores marginalizados da sociedade brasileira. Além dos usuários de crack, no site do artista é possível ver as imagens do projeto Love Hotels e São Paulo Nights, que abordam sexo e prostitutas transexuais, por exemplo.

Apesar da quantidade maior, apenas 10 fotos da coleção Ghosts estão disponíveis para o público. Os retratos em closer, formato 3×4, em P&B mexeram comigo. Seus rostos expressam dor, dúvida, tristeza, perdição e desafio, de acordo com a minha interpretação, no entanto, não sei nada sobre suas trajetórias.

Sou fascinada por histórias e estes rostos me atraem em conhecê-los. O assunto chamou minha atenção ainda mais por conta do caso da ex-modelo Loemy Marques, de 24 anos, que não se encaixava no padrão de abandonamento social, por causa de sua estatura, pele, olhos e cabelos claros. Ela foi acolhida pela mídia como vítima das circunstâncias, mas não são todos?

Ela conseguiu se reerguer, ganhou trabalho e perfil nos principais jornais e revistas, sem falar do meio televisivo, enquanto seus ex-companheiros de vício, sem o benefício de se encaixarem em um perfil social idealizado para todos os seres humanos, continuam a amargar uma vida em que apenas o próximo trago pode dar um conforto ao seu desespero. Ninguém se interessa pela trajetória deles. Mas, olhe, eles são diferentes de você e de mim?

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Lista #1 – Top 10 de Livros Lidos em 2014

Em 2014, eu li exatamente 30 livros dos mais diferenciados autores e gêneros. Queria escrever sobre o que achei de cada leitura, mas seria muito complicado depois algum tempo lembrar a peculiaridade de cada um, por isso, resolvi listar os que mais mexeram comigo, isto é, o meu Top 10 literário de 2014.

Apenas dois exemplares foram lançados no ano passado, já outros dois são do retrasado e um do anterior. Os outros cinco são leituras de outras épocas, mas totalmente atemporais, então, podemos dizer que esta lista é meio a meio contemporânea e clássica. Se tratando de literatura, acredito que devemos sempre balancear os dois. Em contagem regressiva, eis os selecionados:

  1. A Culpa é das Estrelas (John Green, 2012, p. 286)

A Culpa e das Estrelas

Por causa de todo o furor e os recordes de vendas, eu me interessei em saber o que este livro tinha de tão especial. Após ser o mais vendido no mundo editorial no ano passado, sua adaptação também foi o filme mais visto no Brasil em 2014. Se você ainda não sabe o motivo de milhares de pessoas lerem o livro ou correrem para o cinema, eu explico.

John Green misturou humor e lágrimas, além de brincar com a metalinguagem da recepção dos leitores sobre seu livro. Além disso, o tema “câncer” deixou de ser chato e corrosivo para abrir espaço de forma natural, de como viver com a doença, ao invés de esperar a morte. Assim, Hazel e Gus viraram personagens ícones de uma geração. É a primeira vez que vi uma história deste tipo não soar piegas e com mensagens de superação. Se divirta e se emocione de página em página.

  1. Amor Líquido (Zygmunt Bauman, 2004, p. 190)

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O sociólogo polonês Bauman faz uma análise das relações humanas cada vez mais frágeis no contexto social. Grande parte da obra é dedicada ao relacionamento amoroso e como o indivíduo está perdido sem saber lidar com o Outro e a tecnologia. Quando mais eu lia, mais eu percebia como o discurso social nos molda para além de uma vontade própria.

É difícil sair da bolha social. Logo de início, o autor nos explica que o “amor” pode ser comparado facilmente a uma transação financeira e, por isso, ficamos tão arrasados quando perdemos todo o nosso investimento na outra pessoa. Para ele, o afeto se tornou moeda da troca nas transações cotidianas. Apesar de escrito há 10 anos, a atualidade segue os mesmos preceitos. Ótimo para refletir sobre as posições dos sujeitos no mundo.

  1. Alta Fidelidade (Nick Hornby, 1995 p. 312)

Alta Fidelidade

Eternizado pelo filme com John Cusack e Jack Black, o romance é bem semelhante à película, o que me deixou fascinada pela ótima adaptação do roteiro. Claro que, como todo livro, tem muito mais recheio do que uma projeção de duas horas. As listas do protagonista são intermináveis, engraçadas e melancólicas. Comecei a fazer os meus próprios rankings mentalmente (como este!).

A narrativa de Hornby é poderosa, exatamente por dar voz a Rob, um personagem irresponsável e desapegado, exceto por sua melancolia, a qual ele é totalmente devoto (vide tantas memórias por meio de listas). Há uma reflexão sobre relacionamento e suas causalidades a partir dos 30, tudo bem longe do romance e mais próximo da praticidade da vida, o que faz o leitor amar ou odiar todos os personagens. Fico com a primeira opção.

  1. A Espinha Dorsal da Memória (Bráulio Tavares, 1989, p. 165)

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Lançado muito antes do gênero fantástico se tornar sensação nas prateleiras das livrarias, a publicação reúne excelentes contos lúdicos e metafóricos. Para a mim, sua linguagem é um verdadeiro quebra-cabeça transmitindo mensagens criptografas. Lembra bastante os contos de Malba Tahan, mas misturados aos cenários de Neil Gaiman.

Além dos contos, a obra é composta por uma história no final sobre os elementos dos primórdios da humanidade, ambientada no espaço. A última parte me remeteu ao livro A Arte da Guerra, só que galáctico. Eu adorei cada aventura e teve algumas que eu tive que reler para compreender o raciocínio fascinante do autor brasileiro.

  1. Dias Perfeitos (Raphael Montes, 2014 , p. 280)

Dias Perfeitos

Descrito por alguns críticos como o “Stephen King Brasileiro”, eu tive que conferir o que o escritor nacional de 24 anos tinha de tão maravilhoso em seu texto. Devo confessar que fiquei meio desapontada com a escrita super simples, mas a história realmente te envolve. Claro, pretendo ler o seu primeiro livro, Suicidas, em breve.

Com uma pitada de Norman Bates na veia e viagens pelo Rio de Janeiro, Raphael nos leva ao “romance” macabro de Téo, um solitário estudante de medicina, e Clarice, uma jovem de espírito livre. As aspas indicam que romance é apena um eufemismo para o vício doentio do rapaz pela moça, que o torna capaz de qualquer coisa, mesmo. Os acontecimentos nos deixam arrebatados, além de nos transformar em cúmplices de Téo. Isso tudo ao mesmo tempo em que tentamos decifrar a mente perturbada de ambos.

  1. O Oceano no Fim do Caminho (Neil Gaiman, 2013, p. 208)

O Oceano no Fim do Caminho

A fantasia vive na mente das crianças, depois de adultos perdemos o poder de ver as criaturas sobrenaturais ao nosso redor. É assim, mais ou menos, que começa a narrativa desta maravilhosa fábula, contada 40 anos após seus acontecimentos. O narrador relembra a grande aventura da sua infância em que ele descobriu o amor, os mistérios da vida e todo o oceano.

Isso tudo pode soar subjetivo demais, no entanto, só há um jeito de saborear as páginas desta obra: se deixando levar pela fantasia narrativa. É uma história de amadurecimento, mas de forma muito mais criativa e abstrata. Afinal, as lembranças de anos atrás podem ser fiadas como verdades ou é apenas um modo como nos apropriamos dos acontecimentos e o recontamos para vida? O discurso é simples, mas a percurso é delicioso.

  1. Risíveis Amores (Milan Kundera, 1987 [1970], p. 236)

Risiveis-Amores

Desde que li A Insustentável Leveza do Ser, devoro os livros de Kundera saboreando cada grão de sabedoria de seus peculiares núcleos narrativos.  Neste livro, o autor reúne sete contos profundos sobre relacionamentos amorosos, de forma que a aceleração das batidas de um coração pode ascender um estopim para a destruição de um quarteirão inteiro.

Em poucas páginas, Kundera constrói caminhos inimagináveis, mas totalmente palpáveis. O conto O Jogo da Carona é meu preferido, pois me desafiou a compreender a imprevisibilidade humana. Como de costume, sua ficção traz teorias filosóficas entranhadas, passo longos momentos me questionando sobre suas reflexões. Se quiser começar a lê-lo, esta obra é, com certeza, uma ótima porta de entrada.

  1. Fragmentos de um Discurso Amoroso (Roland Barthes, 2003 [1977], p. 343)

Fragmentos de um Discurso Amoroso

O filósofo francês constrói um dicionário explicativo por meio de verbetes que compreendem todas as noções do mito socrático e o mito romântico sobre o amor. Com recurso figurativo, ele remete passagens de obras da literatura, onde o amor era o seu ponto principal, como O Sofrimento do Jovem Werther, de Goethe, considerada a primeira obra do romantismo, e O Banquete, de Plantão, conhecido por apresentar as iniciais noções míticas do amor.

As palavras pinçadas, tais como Abraço, Coração, Escrever, Nuvens, Recordação, Ternura, Verdade, ganham desenvolvimentos associativos da vida do apaixonado e sofredor, passando por todas nuances do amor romântico. Como uma ideia construída socialmente, o amor apresenta facetas instigantes e um final fatídico para os mais aficionados.

  1. Fim (Fernanda Torres, 2013, p. 208)

Fim

Se você já conhece a irreverência de Fernanda Torres por suas atuações, pode apostar que o seu texto, ainda bem, está repleto dela. O Fim é narrado em primeira pessoa por um grupo de amigos sexagenário contanto suas aventuras e desventuras pela vida. Cada capítulo é a narração de Álvaro, Sílvio, Ribeiro, Neto ou Ciro.

Conhecemos pelas beiras e por completo o que cada um pensa do outro e de que forma o fim chega para todos. Numa reflexão sobre a vida de um homem na terceira idade e o que eles esperam até a hora do último suspiro, a gente dá gargalhadas e concorda com toda filosofia de botequim ensinada pelos cinco. Até os personagens secundários ganham nossa atenção nessa gostosa leitura. Não há para quem eu não recomende.

  1. Garota Exemplar (Gillian Flynn, 2013, p. 448)

Garota Exemplar

Li este livro em apenas quatro dias. Resumindo, não consegui descolar dele até terminá-lo. Os capítulos intercalados narrados em primeira pessoa por Nick e Amy são fascinantes. Pois ouvimos um, logo em seguida o outro e não fazemos a menor ideia de quem está falando a verdade. Aliás, personagens podem mentir para os leitores?

Flynn mostra que pode, mas não de maneira tola. Amy é um personagem forte e muito racional (já é uma das minhas favoritas). Apesar da brilhante atuação de Rosamund Pike no cinema, o filme está bem aquém do livro. Infelizmente, a adaptação muda um pouco das motivações da personagem, enfraquecendo-a, mas tornando a história menos complexa para os expectadores. Por isso, talvez, não tenha sido indicado ao Oscar de Melhor Adaptação. Só digo isso: Leia!

Crônica #1 – Dor de Estômago

Eu gosto de café e mate,
meu estômago não gosta.

Algo nele rejeita, uma coisa chamada gastrite,
que quando crescer passará a ser nomeada úlcera.

Tenho vontade de enfiar a mão pela garganta
e arrancar o peso que comprimi meu estômago.

No entanto, tudo que eu faço é contorcer as mãos na manga do casaco
durante três horas no trânsito,
enquanto a dor, irremediável, lateja sem cessar.

Review #1 – Friends da 1ª a 10ª temporada

Apesar de o seriado Friends ter acabado 10 anos atrás e ser constantemente reprisado pela Warner, eu não tinha assistido todos os episódios e o analisado perfeitamente até ganhar o box com as 10 temporadas no último Natal. Após três meses de maratona, com dias que assisti até oito episódios seguidos, eu recomendo que as pessoas vejam todos os capítulos, não apenas as reprises, e se lembre de momentos leves, confusos e engraçados da vida e, assim como eu, dê gargalhadas sozinhas no meio da noite, além de cantarolar I’ll be there for you…

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Primeiros episódios e o tempo

Assistir um programa de 1994 é interessantíssimo. Primeiro, naquela época, eu tinha cinco anos e nunca acompanharia as mudanças que a sociedade estava passando no nível tecnológico e social. Em alguns episódios Chandler (Matthew Perry) aparece no trabalho com aqueles computadores de tela preta e ainda apresenta um notebook como uma revolução fantástica que imprime o que você escreve. Você pode ver isso em filme, mas acompanhar em um seriado é bem diferente.

Os telefones são gigantes e nenhum deles utiliza celular ou envia e-mails. Rachel quando decide procurar um emprego, ela digita e imprime o seu currículo, no entanto, monta centenas de cartas para enviar às empresas. As fitas de vídeo também têm verdadeiro destaque em todas as temporadas, desde filmes pornográficos a gravações de sexo e formatura. O cassete ainda está presente para a gravação de músicas que você copilava para dar a alguém especial. É uma viagem no tempo.

Primeiras impressões

O seriado começa com os personagens na faixa dos 24 a 26 anos e com a preocupação sobre o que fazer da vida depois da faculdade. Carreira, casamento, filhos, divórcio, sobretudo, amizade são os temas principais da trama. Apesar da distância cultural e temporal, é fácil se identificar com as suas dificuldades, se você tem a mesma idade e passa pelos mesmos dilemas universais da juventude.

Os vinte e poucos anos e a chegada dos 30 é o momento de transição mais precioso da vida, em minha opinião, pois é quando você tem tudo resolvido ou tudo em aberto. Preciso de um trabalho para me sustentar agora, mas qual será minha carreira? Tenho que encontrar alguém com quem quero formar uma família? Eu quero ter filhos com esta pessoa? De forma engraçada vamos vivendo tudo isso ao longo de 273 episódios, seja com a estupidez de Joey (Matt LeBlanc) ou as esquisitices da Phoebe (Lisa Kudrow).

Melhores Momentos

Apesar do casal Ross (David Shwimmer), e Rachel (Jennifer Aniston) ter demorado duas temporadas para acontecer, o primeiro beijo deles foi uma das cenas mais bonitas do programa ao som de With or Without You, do U2. Assim como o capítulo de separação dos dois foi emocionante, porque Rachel falou de coração e as consequências foram surpreendentes para os espectadores. O caso rendeu até uma piada no último episódio.

No final da quarta temporada para quinta, temos o surpreendente caso de Chandler e Monica (Courteney Cox)! Conforme a descoberta de cada um, as cenas vão se tornando mais engraçadas até o maravilhoso episódio 5×14 The One Where Everybody Finds Out (Aquele em que todo mundo descobre), em que Joey tenta guardar o segredo de que Chaldler e Monica sabem que Rachel e Phoebe sabem que eles sabem que elas sabem. Extremamente confuso e divertido!

Já a entrada de Mike (Paul Rudd) no nono ano foi o melhor acontecimento daquela temporada, todos os episódios dele com Phoebe e Ross foram agradáveis, apesar do enredo fraco de 2003. Finalmente, os produtores encontraram um ator compatível para Lisa Kudrow, após muitas tentativas desagradáveis e outras até constrangedoras, como o namorado policial Gary (Michael Rapaport), na segunda temporada, e Parker (Alec Baldwin), na oitava.

A participação de Janice (Maggie Wheeler) até o final da série, pelo menos, uma vez a cada temporada como elemento surpresa foia a cereja do bolo. Todas as aparições foram engraçadas e não deixou o passado de Chandler ser apagado da mente dos expectores. Ela realmente deu a volta por cima se tornando uma personagem detestável e adorável ao mesmo tempo.

Não posso esquecer do final da quarta temporada, quando Ross troca o nome de Emily, sua noiva, no altar pelo da Rachel. Para fechar, há ainda a revelação da gravidez de Rachel no final da sétima temporada, realmente uma surpresa! Vale mencionar mais dois episódios divertidíssimos, o que eles jogam futebol americano no Dia de Ações de Graça (3×09 – The One with the Football) e em que Ross ensina sua técnica de ficar sempre alerta (6×17 – The One with Unagi).

Participações especialíssimas

Quando os familiares dos seis protagonistas aparecem dá uma sensação maior de harmonia. Os pais do Chandler foram os melhores neste sentido. Adorei o “casal” formado por Charles Bing (Kathleen Turner) e Nora Tyler Bing (Morgan Fairchild). Outro destaque foram as irmãs patricinhas de Rachel, Jill (Reese Whitherspoon) e Amy (Christina Applegate), somou bastante carisma ao espetáculo.

Já entre os namorados, a presença de Richard (Tom Selleck) foi fenomenal como o grande amor de Monica e deu um tom dramático a mais ao final da sexta temporada, quando Chandler pede Monica em casamento. Aliás, este é o episódio mais emocionante de toda série, 6×25 The One with the Proposal: Part 2 (Aquele do Pedido de Casamento: Parte 2).

Outro importante convidado foi, sem dúvida, Paul (Bruce Willis), pai da universitária Elizabeth (Alexandra Holden). Além de atanazar a vida de Ross, o qual namorava a sua filha, ele ainda teve um caso com a Rachel e cenas divertidíssimas.

Vale destacar as curtas participações de Sean Penn (Eric), Brad Pitt (Will Colbert), Gary Oldman (Richard Crosby), Susan Sarandon (Cecilia), Jon Favreau (Pete), Greg Kinnear (Dr. Benjamin Hobart), Freddie Prinze Jr. (Sandy), Julia Roberts (Susie Moss), Dermot Mulroney (Gavin Mitchell), Brooke Shields (Erica Ford), Anna Faris (Erica) e até a pequena Dakota Fanning (Mackenzie) e Jean Claude Van Dame. Ainda percebi as estrelas de outros seriados como John Stamos (Três É Demais, Glee) e Eddie Cahill (CSI, Under The Dome).

Foram muitos! Estes são os que eu me lembro após uma grande maratona. Se outros não estão aqui é porque não causaram uma boa impressão.

Piores Momentos

Friends entrou para histórias, mas também houve muitos equívocos nesta trajetória. O pior deles foi a tentativa de romance entre Joey e Rachel, algo sobrenatural e que não combinava nenhum pouco com a personalidade de ambos os personagens. Para mim, um dos motivos da nona temporada ter sido tão fraca. Outro casal que deu sono foi Ross e Mona (Bonnie Somerville), de todas as namoradas de Ross, a pior, seguida por Julie (Lauren Tom,), entretanto, acredito que o objetivo da trama era que elas fossem odiada.

O romance de Monica com o multimilionário Pete também forçou a barra, não rolava química entre os atores e o motivo do término foi superficial, apenas para ele saísse de cena. Por outro lado, quem saiu da vida de Ross foi o filho primogênito Ben (Cole Sprouse). Com a chegada de Emma (Noelle Sheldon), o menino foi mencionado algumas vezes mais nunca mais visto desde a sétima temporada. Adoraria ver Ben interagindo com a irmãzinha.

No final o único desapontamento é que todo mundo tem um capítulo fechado na história com seus desejos realizados, apenas Joey continua na mesma e, por isso, para ele é mais difícil aceitar as mudanças dos companheiros. Poderiam ter dado a ele um final também cheio de perspectivas futuras, não acham?

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Comparações

Quem não quiser comprar o box, que já chegou a bagatela de R$ 85,00 em promoção, pode ver todas as temporadas na Netflix. A qualidade dos atores é inquestionável e o sucesso se deu porque o seriado nunca perdeu seu tom cômico, mesmo dando espaço de sobra para a emoção.

É indiscutível a comparação com How I Met Your Mother (HMYM) em vários aspectos. O programa da CBS começou em 2005, ano seguinte ao término de Friends, e finalizou na nona temporada em 2014. Em HMYM, o grupo de amigos sempre se encontrava no MacLaren’s Pub, um tipo de cafeteria Central Perk, além disso, ambos os enredos ocorriam em Nova York e criticavam as cidades ao redor.

Por alto podemos fazer comparações básicas entre os personagens de Ted (Josh Radnor) e Ross. Os dois são o nerds da turma e desajustados amorosamente. Já a Robin (Cobie Smulders) e a Rachel são o modelo de mulheres perfeitinhas que começam tropeçando na carreira, mas acabam crescendo e, entre idas e vindas, é o objeto de desejo do personagem central.

Em Friends é difícil apontar um protagonista, mas Ross e Rachel sempre formaram o casal mais famoso, enquanto que em HMYM, Ted é o narrador e protagonista declarado. A amizade de Ted e Marshal (Jason Segel) vêm desde a faculdade, assim como Ross e Chandler. Além dessa última coincidência, nos dois shows rolavam disputas para saber quem é o melhor amigo de quem. Por fim, Joey e suas diversas mulher lembra bastante as conquistas intermináveis de Barney (Patrick Neil Harris).

Outros sitcoms também beberam da fonte de Friends, é possível ver semelhanças na dinâmica de apartamentos em The Big Bang Theory (2007–), de relacionamentos em Happy Endings (2011-2013), este mal sucedido, e até em New Girl (2011–). Depois de 10 anos no ar com uma audiência fervilhando, com certeza, Friends ainda vai influenciar centenas de roteiristas pelo mundo.