Resenha #10: A Estrada da Noite, de Joe Hill

Logo que você sabe de quem Joe Hill é filho, não tem como desassociá-lo à escrita emblemática de seu pai. Com um nome artístico, exatamente para fugir do estigma e sombra do famoso progenitor, Joe trilha o mesmo caminho de Stephen King.

Com uma mistura de suspense, terror e mistério, o seu primeiro romance A Estrada da Noite é apresentado de forma entusiasmada e, claramente, bebendo da fonte de inesgotável histórias de King. Antes de começar a escrever, com certeza, o filho do astro tomou algumas notas com o pai e conseguiu reconstruir o mesmo sistema de ação. Focado no comportamento humano em situações limites, Joe Hill constrói uma trama bem amarrada e interessante.

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O protagonista Judas Coyne é uma lenda do rock, um dos seus passatempos é colecionar objetos macabros, tais como livro de receitas para canibais e um laço usado num enforcamento, até um fita suff, isto é, um vídeo que mostra uma cena real de assassinato. Um cara com esse perfil pode ser considerado um expurgo para sociedade. A partir desse raciocínio, o leitor acompanha a trajetória do astro rock para se livrar do seu pior pesadelo. Quando o louco músico sabe de um estranho leilão de um paletó assombrado por um cadáver, não pensa duas vezes e realiza a aquisição do objeto.

Para seu azar, nem toda história de horror é fajuta. Com a chegado do paletó, o espírito também está presente de maneira real e ameaçadora. Aos poucos, o músico descobre que todo o plano foi muito bem arquitetado para que ele adquirisse o fantasma do padrasto de sua ex-namorada. Judas tentas descobrir as motivações da irmã de sua ex-paixão Alabama e fugir dessa presença dominadora. Ao seu lado, entretanto, está sua nova parceria Geórgia.

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O personagem mocinho controverso é muito bem construído, ele foi casado durante anos e enjoou dessa vida, ou melhor, fez a esposa enjoar dele. Assim, agora ele percorre corpos de meninas jovens góticas atrás de uma válvula de escape do seu mundo real. Ele nunca as chama pelo nome, mas por seu estado de origem. A narrativa é bastante impactante, prende o leitor e o faz torcer pelos dois maus exemplos sociais. Além da vibrante sensação de opressão e terror, Joe Hill constrói uma tensão emocional sobre agruras das vida e sentimentos mau resolvidos.

A Estrada da Noite me prendeu bastante no mistério sobre as motivações do morto de nunca deixar o casal e de como os dois juntos se livrariam do fantasma de Craddock McDermott (aliás, um nome muito apropriado para um defunto). O final é satisfatória, a condução dos acontecimento se encaixam e torna tudo plausível e tranquilo. Este é um bom livro de suspense. Joe começou com o pé direito e, agora, tenho curiosidade para ler sua outra famosa obra O Pacto, com uma adaptação cinematográfica marcada para estrear com Daniel Radcliffe.

A história também nos proporcionas ótimo diálogos entre Jude e Geórgia, suas discussões sociais e amorosas vão apresentando os seus verdadeiros eu. Destaco a parte que mais gostei abaixo:

– O que mais me assusta é a ideia de ter filhos e eles descobrirem a verdade ao meu respeito – disse Geórgia. – Os filhos sempre descobrem. Eu descobri tudo sobre meus pais.

– O que seus filhos poderiam descobrir a seu respeito?

– Que larguei o colégio. Que aos 13 anos deixei um cara me transformar numa prostituta. Que o único trabalho em que sempre me sai bem foi tirar a roupa ao som de Mötley Crue num salão cheio de bêbados. Tentei me matar. Fui presa três vezes. Roubei dinheiro de minha avó e a fiz sofrer. Passei um dois anos sem escovar os dentes. Será que esqueci de alguma coisa?

– Acho que seu filho ia descobrir o seguinte: mesmo que alguma coisa muito ruim a me acontecer, posso sempre conversar com minha mãe porque ela passou por isso tudo; mesmo que algo foda venha a me acontecer, vou conseguir sobreviver porque minha mãe passou por coisa pior e sobreviveu.

(HILL, p. 123, 2007)

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 03/12/2013, em Literatura e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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