Resenha #8: Marina, de Carlos Ruiz Zafón

Apesar de famoso nas prateleiras das livrarias, eu nunca tinha me interessado por ler um livro do espanhol Carlos Ruiz Zafón. De um tempo para cá, no entanto, muitas pessoas conhecidas falavam bem do autor e elogiavam a sua obra A Sombra do Vento (2001). Eu devia ter começa por esse livro, entretanto, encontrei Marina (1999), em preço promocional, e resolvi matar minha curiosidade sobre o escritor.

O prefácio de Zafón, neste livro, diz que apesar de ser uma literatura classificada como infanto-juvenil, o título é agradável para todas as idades, pelo menos era o desejo dele. Marina é um livro para jovens, não por ser ruim, mas pela trama simples e desenvolvida sem muita sofisticação. O início é a melhor parte do livro, em que Óscar descreve suas sensações com muitos detalhes. Ele, entretanto, não é interessante, seus questionamentos de rapaz de 15 anos são bem rasos.

O que mais me incomodou no livro foi a arbitrariedade dos acontecimentos. Uma vez que as partes mais interessantes eram narradas por um dos personagens em cena, apenas como um relato e não uma vivência daquilo. A história dos protagonistas Óscar e Marina não me envolveu nem um pouco, os mistérios criados são facilmente descobertos, antes de serem apresentados no texto, na verdade, não há mistério. Tudo é muito lógico e pautado, quando o personagem faz uma revelação, o leitor já está cansado de saber.

Apesar da história não ter me satisfeito, gostei muito de conhecer a escrita de Carlos Ruiz Zafón. Uma das coisas que mais apreciei é a utilização de metáforas do autor para descrever coisas e situações. Tal movimento linguístico torna o texto mais leve, contemplativo e divertido por vezes. Como em:

As sirenes dos bombeiros uivavam como se lamentassem a própria impotência.

Lentamente, nos afastamos até a Plaza Cataluña, enquanto as cinzas continuavam chovendo ao nosso redor como flocos de neve morta.

Os dias caíam com folhas mortas.

Carlos Ruiz Zafón

A fantasia criada por meio do personagem obscuro Mijail Kolvenik é boa e desperta o interesse do leitor. No entanto, essa parte é mal contada, propositalmente, porque não é a história principal. O amor/amizade de Óscar Drei e Marina devia sobressair, mas a emoção entre os dois não engata, contudo, a aventura vivida entre eles é realmente um bom passatempo.

Marina não é uma obra ruim, mas, sem conhecer as outros livros do autor, estou certa que não é de longe seu melhor romance. A linguagem rápida e sem surpresa é ruim para um leitor mais experiente e exigente, contudo, poderá entreter um adolescente ou pré-adolescente completamente.

Partes que eu mais gostei do livro:

 – Às vezes, as coisas mais reais só acontecem na imaginação, Óscar – disse ela – A gente só se lembra do que nunca aconteceu. (p. 68)

– O tempo faz com o corpo o que a estupidez faz com a alma – disse, apontando para si mesmo. – Apodrece. (p. 83)

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 21/09/2013, em Literatura e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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