O Lado Bom da Vida é simples de mais para o Oscar

A melhor forma de descrever O Lado Bom da Vida é como uma comédia romântica com traços de obviedade e cenas cômicas e bonitas. Mas por que Silver Linings Playbook concorreu a oito categorias do Oscar? Normalmente, os filmes que chegam à cerimônia de Los Angeles mostram um diferencial, um trabalho arrebatador ou, ainda, um tom de originalidade. No entanto, o filme de David O. Russel não tem muito disso.

O que faz o público desconfiar que as indicações ao maior prêmio do cinema fazem parte de um plano de marketing dos produtores e um meio de tornar Jennifer Lawrence a nova queridinha de Hollywood. Só isso explica o porquê de tanto burburinho sobre a obra de David O. Russel. O único que merece a indicação é o Robert De Niro, no melhor estilo comédia dramática que ele sabe fazer. Cheio de promessas motivacionais para superar o passado, a história é pouco original e o final se torna previsível desde o primeiro encontro entre Pat e Tiffany.

Pat (Bradley Cooper) passa oito meses internado num sanatório após ter tido um ataque de violência ao encontrar a esposa Nikki (Brea Bee) com outro homem no chuveiro da própria casa. A partir dessa premissa, o jovem volta para casa dos pais com o objetivo de reconstruir sua vida, afinal ele perdeu o emprego, o lar e a esposa. Bradley Cooper leva bem o papel de um homem que não consegue encarar a realidade e tem um comportamento excêntrico para lidar com seus problemas.

Contudo, o personagem não parece ameaçar mais ninguém, além de jogar um cesto de revista longe ou quebrar uma janela arremessando um livro, coisa que qualquer adolescente faria ao ser contrariado. Um policial aparece o tempo inteiro para monitorá-lo, mas Pat nem ameaça sair do sistema. Tudo que ele quer é voltar para a ex-mulher. Sem muitas perspectivas, ele conhece Tiffany (Jennifer Lawrence).

Ela acabou de perder o marido ex-policial, mas o personagem não consegue convencer que esteve num matrimônio. Jennifer Lawrence foca apenas na fase vadia e louca da personagem, encenando uma adolescente ao invés de uma jovem recém-viúva. Será que é proposital para mostrar que ela perdeu o discernimento? Não sei. Por outro lado, os atores juntos funcionam bem em cena e esse é o grande trunfo de O Lado Bom da Vida.

Danny (Chris Tucker), o amigo de Pat que vive fugindo do sanatório, reforça o lado cômico dessa narrativa, brindando o público com momentos realmente engraçados. Desde o sucesso arrebatador de Dirty Dance – Ritmo Quente (1986), os filmes de romance lançam mão de uma performance musical para criar um ambiente de sedução.

A competição de dança do filme, no entanto, é muito sem graça. Podemos comparar outros 20 filmes que seguem o mesmo padrão e conseguem ser melhor, por exemplo, Dança Comigo? (2004) e Como Arrasar um Coração (2010).

Tiffany se apaixona por Pat, mas ele só pensa em Nikki. Ela lhe oferece ajudar para se comunicar com a ex-mulher, mas em troca ele tem que participar de um concurso de dança. Como será que acaba essa história? Não deixa de ser um filme bonito com bom elenco e grandes atuações, mas nada que mereça um Oscar.

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 02/04/2013, em Crítica e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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