Rever Livros e Filmes eleva a perspectiva das pessoas

Quantas vezes você já viu aquele seu filme favorito ou releu algum livro marcante? Quando eu era mais nova, eu tinha o costume de reler várias vezes o mesmo livro, um dos motivos era a pouca oferta de títulos na minha casa naquela época. Me lembro, no entanto, que cada releitura era especial. Assim como, assistir um filme novamente, de novo, mais uma vez e nunca enjoar.

Uma pesquisa realizada na American University, nos Estados Unidos, indica que esse tipo de hábito não tem nada a ver com mania, vício ou comportamento obsessivo. De acordo com o professor Cristel Russel, chefe do estudo,  reler livros e rever filmes é um esforço consciente para encontrar camadas de significado mais profundos no material e refletir sobre o próprio amadurecimento.

Incrível, não? Há alguns anos não consigo reler nenhuma obra, são tantas que a releitura é adiada constantemente. Raramente, também, consigo assistir o mesmo filme várias vezes. Meu recorde de releitura foi com a obra infanto-juvenil Vida de Droga, de Walcyr Carrasco, o qual retomei seis vezes durante os meus 12 e 14 anos. A personagem do livro realmente me tocou e até hoje tenho vontade de escrever um adaptação da história.

O resultado da pesquisa foi obtido por meio de entrevistas com 23 pessoas, que identificaram as razões para o “re-consumo” de um material. Diferente do que a maioria pensa, esta não é uma forma de reviver o passado, mas uma busca por significado, que, segundo o estudo, pode ter grande valor emocional.

Outros livros que eu li mais de duas vezes foram Harry Potter e a Câmara Secreta e Harry Potter e o Cálice de Fogo. Isso evidencia que a minha disposição a releitura é antiga. No entanto, tem um livro que quando eu li pela segunda vez a minha percepção mudou completamente e se tornou minha obra favorita de todos os tempos: Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Márquez. Li este título aos 13 anos e novamente aos 14.

Ainda de acordo com o estudo norte-americano, o “re-consumo” pode servir como uma espécie de terapia, uma vez que permite que a pessoa analise como sua interpretação do livro ou filme mudou com o decorrer do tempo. Acredito nessa teoria, afinal quando vimos determinado filme pela primeira vez é uma coisa, já na segunda, você começa a perceber outros detalhes. Assisti milhares de vezes Diário de Uma Paixão (The Notebook) e O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le fabuleux destin d’Amélie Poulain) e cada vez, eu compreendo mais os movimento dos personagens e os detalhes dos diálogos. Não sei se isso é um sinal de crescimento, mas nossos pensamentos e opiniões mudam com o tempo, assim as percepções do passado podem ser interpretadas de outras maneiras.

Um dos participantes desse estudo era um pastor evangélico, ele relatou que releu a Bíblia inúmeras vezes, só que, de acordo com a sua idade, interpretava passagens de modo diferente. Provavelmente, acharemos os livros da nossa  juventude bem sem graça se nós os relessem. Do mesmo modo que os jovens obrigados a ler os clássicos brasileiros na escola, como Dom Casmurro, de Machados de Assis, e a A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, se os lessem agora poderiam gostar mais de literatura brasileira.

Um exemplo clássico dessa diferença de perspectiva para toda uma sociedade são as escolas de época. Durante o Romantismo, as personagens sofriam de amor e morriam quando não eram correspondidas. Atualmente, um romance nesses moldes não chamaria a atenção e soaria estranho para o público. Por meio deste estudo podemos observar a importância de reviver momentos de prazer revelados por um livro ou um filme, além de abrir a mente para novas perspectivas.

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 12/03/2013, em Literatura e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Também sou de reler, re-assistir. Lembrei de uma frase de Mário Quintana: “Gosto de ler, mas gosto mais de reler as coisas. Talvez seja por ter saudades de mim mesmo”.
    Aquele livro que parecia incrível anos atrás, agora já não é tanto, aquele que parecia intragável agora fica interessante… o passar dos anos muda a gente, a re-leitura abre novas descobertas, já que ” as águas não são as mesmas e nem nós somos os mesmos”… Então, vamos re-ler, re-assistir, re-descobrir.. e ser felizes!

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