A Viagem dos irmãos Wachowski e Tom Tykwer

Andy Wachowski, Lana Wachowski e Tom Tykwer fazem o público viajar entre seis ótimas e interessantes histórias em apenas um filme. A Viagem (Cloud Atlas) é um conjunto de várias narrativas que se fundem num mesmo propósito, mostrando como as escolhas de uma pessoa podem mudar todo o futuro. Desde o século XIX até uma época pós-apocalíptica, cada personagem conta a sua história, destacando uma parte importante da sua existência e do seu legado para o mundo.

Esse filme não possui uma única definição, cada composição pertence a um gênero diferente, comédia, romance, policial, aventura, ficção científica e suspense. Essa construção pode irritar os espectadores mais conservadores, que enxergam o filme como uma obra de ficção científica, ou ainda, sobre viagem no tempo. O engano pode ser cometido antes de assistir à produção. Contudo, logo nos primeiros minutos um emaranhado de perturbadoras declarações nos contam um pouquinho de cada drama narrado.

Somos cercados por várias histórias com um ritmo intenso que demanda a atenção do público, mas recompensa com cenas de muita ação, mistério e suspense, além de ótimos diálogos. Passamos de um jovem viajante no Oceano Pacífico em 1950 para outro jovem compositor prestes a concluir a sua obra-prima e reencontrar seu grande amor. Já na década de 1960, uma jornalista tenta desvendar um mistério do governo de Ronald Reagan. Anos depois um atrapalhado editor consegue sucesso após o crime de seu agenciado, mas tem que fugir de mafiosos. No futuro, temos uma rebelião contra a construção de seres humanos feitos para servidão e, por fim, nos deparamos com o modo de vida numa aldeia no período pós-apocalíptico.

Todas essas histórias são marcadas por uma insígnia, que cada protagonista carrega na sua pele ao longo dos anos. Nenhuma trama deixa a desejar para outra, todas são recheadas de conflitos e ação. Se prestarmos atenção nos detalhes, percebemos que as cenas do início se encaixam em pontos diferentes de cada narrativa. Além disso, elementos de épocas diferentes percorrem o tempo surgem em outros períodos, tornando-os imortais.

A transformação dos atores também é muito bem executava, às vezes, é quase irreconhecível o artista por trás da maquiagem. Tom Hanks está bem em todos os seus papéis, assim como Hugo Weaving e até Hugh Grant surpreende. A intensidade do roteiro é muito bem explorada pela edição, todos os pontos são meticulosamente costurados de forma lógica e satisfatória. O embaraço de ideias pode parecer à primeira vista confuso, mas gera uma reflexão e discussão sobre sociedade e poder.

Em diversas épocas e situações, o filme mostra que o homem é interpelado pelas falsas aparências, a traição, a ganância e a luta. As mensagens são variadas e cada espectador pode perceber de uma forma, você pode explorar uma relação entre os seres humanos, sobre as escolhas da vida ou apreciar um bom mistério e suspense, ou ainda, se encantar com uma história de amor, a tragédia da vida e uma linda melodia. São três horas que passam sem você notar.

O trio de roteirista e diretores carrega no portfólio a trilogia Matrix e Corra, Lola, Corra, obras que derrubaram velhos conceitos e criaram novas concepções cinematográficas. Cloud Atlas não chega a ser tão inovador a esse ponto, mas se permite ousar e isso no cinema atual já é um enorme passo.

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 09/03/2013, em Crítica e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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