Entrevista com Jean-Pierre Denis, diretor francês

No ano passado, durante o Festival de Cinema Francês Varilux, eu tive a oportunidade de conversar com o diretor francês Jean-Pierre Denis. Apesar de não conhecer nenhum dos seus filmes, conseguimos bater um papo rápido em francês. Aos 66 anos, o cineasta produziu sete longas-metragens e concorreu a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1987.

Seu último filme, Aqui Abaixo (Ici-Bas) passou no festival, no entanto, não entrou em circuito comercial. Seu trabalho mais famoso é a obra La Petite Chartreuse (2004).

Finalmente, pude colocar em prática com um nativo o aprendizado do curso de francês. Além do desafio da língua, a entrevista foi muito importante para o início de uma nova guinada na minha carreira no ramo do Cinema. Confira a entrevista com este grande diretor.

Você pode nos contar sobre sua experiência de estar pela primeira vez no Brasil?

Jean-Pierre Denis: Até o momento eu só vi duas projeções, uma aqui [no Rio de Janeiro] e outra em São Paulo, mas uma coisa muito boa que percebi é que não importa o país ou o lugar, o público sempre tem muitas coisas em comum.

Os meus filmes falam sobre a cultura de determinados lugares, de pessoas que pertencem a um território, mas no final todos acabam se identificando. Eu constatei isso quando lancei o meu primeiro filme, sobre a vida rural, em outros países. As pessoas compartilhavam as mesmas histórias que eu acreditava que só existisse na minha cultura. Então, vejo que o Brasil também tem bastante coisa em comum com a nossa cultura.

Você tem vontade de filmar em outro país, por exemplo, o Brasil?

Jean-Pierre Denis: Claro que eu poderia filmar em outro país, mas apenas se a história me levar para este lugar. Se a cultura me instigar a contar uma história sobre o local, por que não?

Você conhece a cultura brasileira?

Jean-Pierre Denis: Superficialmente. Conheço algumas coisas, como o cinema, alguns filmes de Glauber Rocha e também algumas produções da América do Sul. Eu gosto da característica dessas produções, que expõem a sua cultura e a morte de forma muito bem trabalhada. Esses países produzem algo diferente do cinema burguês, passam mais realidade. Também gosto do cinema italiano da época dos irmãos Taviani, como Padre Padrone [Pai Patrão, 1977].

O que você gosta de mostrar nos seus filmes?

Jean-Pierre Denis: Me interessa muito trabalhar com histórias do mundo campesino. Virei cineasta quase que por acaso, porque o que eu mais gostava de fazer mesmo era escrever crônicas sobre o mundo rural. Foi assim que acabei fazendo cinema, para questionar de onde somos, para onde vamos, o que construímos, os nossos antepassados e contar as histórias das pessoas.

Você gosta de contar histórias relacionadas à cultura do seu país, como o Brasil mostra as favelas nos seus filmes?

Jean-Pierre Denis: Sim, podemos dizer que sim. Gosto de contar histórias em que podemos compreender como é a vida de cada pessoa.

* Essa matéria já foi publicada no portal Núcleo do Cinema. 

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 06/03/2013, em Cinema e marcado como , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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