Resenha #5: O Leitor de Almas, de Paul Harper

Existem livros que prometem muito, mas durante a narrativa não cumprem nem metade do proposto. É assim que me senti ao ler O Leitor de Almas (Paralela, p. 227), do norte-americano David Lindsey, ou melhor, seu pseudônimo Paul Harper. Nunca tinha lido ou visto nada sobre esse autor, mas a escolha de um pseudônimo literário veio a calhar para esconder sua identidade dessa obra primária.

A trama parte do relacionamento que Lore Cha e Elise Currin, esposas de dois poderosos e influentes empresários, desenvolvem com o mesmo homem. Sem saber o verdadeiro nome desse misterioso amante, ambas se consultam com a psicanalista Vera List. Ao suspeitar que suas pacientes podem estar tendo relações com a mesma pessoa e informações confidencias suas estão sento violadas, ela contrata um agente secreto para desvendar o mistério. Com essa sinopse podemos dizer que haveria muito suspense e emoções, mas nada disso se torna real durante a narrativa.

O livro inteiro se passa em apenas seis dias, nos quais o detetive Fane descobre a identidade do amante manipulador, suas reais intenções e arma um plano para detê-lo. Contudo, toda a estrutura literária do suspense não é bem desenvolvida. Os personagens não cativam o leitor, o desenrolar da ações é bastante corrido e tudo o que prometia uma grande tensão cai por terrar ainda nas primeiras 100 páginas.

Mulheres ricas, muito belas, mas completamente frágeis emocionalmente são os personagens principais de Paul Harper. Elas começam a história como seres isentos de racionalidade, entretanto, no final do livro elas passam a ser descritas como espertas e perspicazes, bem estranho. O autor se perde diversas vezes, tenta criar um cenário policial, mas soa como uma redação mal escrita.

Às vezes pode ser problema na tradução, mas o texto é bem truncado. Além disso, a sinalização dos diálogos entre aspas é bem precária, a continuação das falas de um personagem abre um parágrafo em diversos momentos, confundido, muitas vezes, quem lê.

Claro, o livro não é de todo ruim, de certo modo, desejamos saber como vai terminar, mas até o final o caminho é estranho e a conclusão nos joga um balde de água fria, sem glamour ou alguma grande sacada. Durante a leitura, apenas destaquei essa parte:

Quando ficam desesperadas para se livrar de um dilema, as pessoas normalmente dão mais peso à esperança do que à realidade. É uma das coisas mais tristes e maravilhosas da natureza humana. (p. 109)

Não é uma leitura interessante e o texto é raso, como entretenimento vale a pena, mas pode ser decepcionante também.

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 27/02/2013, em Literatura e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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