16 filmes brigam para representar o Brasil no Oscar 2013

Será que dessa vez o Brasil tem chance?  A última  oportunidade que o país teve em concorrer ao Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira foi há 13 anos, com “Central do Brasil”, de Walter Salles, que perdeu para a elogiadíssima película italiana  “A Vida é Bela”, de Roberto Benigni. Este ano, 16 produções nacionais disputam a vaga de representante da nossa nação na maior festa do cinema americano, sendo que a disputa para ficar entre os cinco não será nada fácil. O cinema francês vem em franca expansão, além de Itália, Inglaterra e Romênia que já mostraram suas armas no último Festival de Cannes.

O longa-metragem representante brasileiro será anunciado na próxima quinta-feira, dia 20,  por decisão de uma comissão julgadora, composta pela secretaria Audiovisual do Ministério da Cultura. A reunião será realizada, às 10h, no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro. Até o veredito, no entanto,  podemos analisar a qualidade competitiva desses filmes inscritos.

Os selecionados para o Oscar serão apresentados em janeiro de 2013 e a grande noite de premiações acontecerá dia 24 de fevereiro.

Confira as produções inscritas:

À Beira do Caminho, de Breno Silveira

Billi Pig, de José Eduardo Belmonte

Capitães da Areia, de Cecília Amado

Colegas, de Marcelo Galvão

Corações Sujos, de Vicente Amorim

Dois Coelhos, de Afonso Poyart

Heleno, de José Henrique Fonseca

Elvis & Madona, de Marcelo Laffite

Histórias Que Só Existem Quando Lembradas, de Julia Murat

Luz Nas Trevas, de Helena Ignez e Icaro Martins

Menos Que Nada , de Carlos Gerbase

Meu País, de André Ristum

O Carteiro, de Reginaldo Faria

O Palhaço, de Selton Mello

Paraísos Artificiais, de Marcos Prado

Xingu, de Cao Hamburger

Não assisti a maioria dos filmes selecionados, mas faria quatro apostas: “À Beira do Caminho”, “Colegas”, “Histórias Que Só Existem Quando Lembradas” e “O Palhaço”.

O filme de Breno Silveira tem a intensidade narrativa, a retratação de um povo e o envolvimento emocional necessários para se fazer um bom filme. Com as canções de Roberto Carlos, ídolo brasileiro que consegue transpor em suas letras todas os sentimentos humanos, a roteirista Patrícia Andrade criou uma cara para a dor, a angústia e o amor, que o cantor carrega em suas composições e o ator João Miguel executou muito bem. Além disso, o enredo nos lembra  bastante “Central do Brasil”.

Já “Colegas” foi a grande surpresa do Festival de Cinema de Gramado 2012, levando o Kikito de melhor filme e direção de arte, além de um prêmio especial do júri para o trio de atores principal. O filme conta a história de três amigos, Stalone,  Aninha e Márcio, com síndrome de Down fanáticos por cinema. Após verem o filme “Thelma & Louise”, sobre duas mulheres fugindo pelos Estados Unidos em um carro, eles decidem fazer o mesmo e roubam o veículo do jardineiro para realizar vários sonhos. Com uma temática original e cativante,  a trama promete emocionar os espectadores e chega aos cinemas no dia 9 de novembro. 

Agora, os que eu acredito que tenham realmente chances de concorrer com os outros filmes estrangeiros são “Histórias Que Só Existem Quando Lembradas” e “O Palhaço”. O primeiro longa-metragem de Julia Murat, filha de Lucia Murat (diretora de “Uma Longa Viagem”) retrata o choque entre o campo e a cidade. Apesar da crítica positiva, a obra  passou batida pelos cinemas brasileiros. Contudo, no estrangeiro, o filme foi agraciado e ganhou vários prêmios, como o de público no Festival de Cinema Brasileiro de Paris, ecumênico no Festival de Cartagena e melhor filme no Festival de Abu Dhabi.

Por último, o segundo longa de Selton Mello surpreendeu a crítica, o público e a mim. O trabalho de fotografia e direção de arte deu um vigor para o cinema nacional, trazendo uma nova perspectiva. Com um roteiro simples que apresenta uma ideia, mas no fundo nos faz refletir sobre outras, eu considero “O Palhaço” um dos melhores filmes de 2011.

Eu também gostei de “Dois Coelhos” e “Elvis & Madona”, entretanto, não acredito que eles tenham força para brigar pelo prêmio. O filme de Afonso Poyart é original e dinâmico, podemos até apontá-lo como uma contribuição totalmente inovadora para o cinema nacional, mas perde esse poder quando comparado a outros filmes estrangeiros. Da mesma forma, Macelo Laffiti dirige um argumento bem original e a interpretação espetacular de Igor Cotrim, mas “Elvis & Madona” apresenta falhas de produção, roteiro e elenco. Também assisti “Menos Que Nada”, que não deveria estar nessa lista.

Anúncios

Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 18/09/2012, em Cinema e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: