Festival de Cinema Brasileiro de Nova York é cancelado

A 10ª edição do Cine Fest Petrobras Brasil-NY programado para os dias 10 a 16 de junho de 2012, com sede no Tribeca Cinemas, não acontecerá este ano.  Após 12 anos de patrocínio, a Petrobras cancelou sua participação no festival e sem a verba de R$ 1,5 milhão a mostra não teve como prosseguir. A organizadora do evento Adriana Dutra contou à imprensa que foi surpreendida pela revogação do patrocínio por meio de um telefonema em menos de um mês do início do evento. Quando a notícia chegou, toda a produção já estava pronta, os filmes selecionados, os fornecedores contratados e a campanha publicitária ativada. Tudo foi cancelado e a ex-patrocinadora titular Petrobras não informou nenhuma justificativa para o ato.

Existe alguns pontos estranhos nesta história. Por que uma das maiores empresas do Brasil e fomentadora de programas educacionais e culturais simplesmente retira um grande patrocínio? Além da promoção do cinema nacional na região da maior  indústria cinematográfica do mundo, o evento também divulga a cultura brasileira e as suas principais riquezas. Não descarto a possibilidade de ter acontecido alguns conflitos internos, mas ninguém tem como provar ainda. A mídia pouco falou sobre esse assunto e deixaram o carruagem seguir o caminho. Quem mais perde neste enredo, no entanto, é o nosso cinema e os espectadores estrangeiros.

Esta trama, contudo, ainda promete um final feliz. Os organizadores com o apoio do Governo de Nova York, City Parks Foundation, Itamaraty, Consulado do Brasil em Nova York, Embratur e American Airlines conseguiram manter a realização da abertura no Central Park, no dia 9 de junho, com o show de Sandra de Sá e a exibição do filme “Raul, o início, o fim e o meio”, de Walter Carvalho. Dessa forma, o Brasil não perde uma das suas principais vitrines de exposição no exterior, já que o evento faz parte do calendário das férias de verão norte-americanas.

Com o cancelamento da Mostra Competitiva do 10º Cine Fest Petrobras Brasil-NY, a curadoria do Circuito Inffinito de Festivais transferiu a seleção formada para Nova York ao Festival de Londres, que será realizado entre os dias 21 e 25 de setembro. Os festivais de cinema brasileiro em Miami e Montevidéu também estão confirmados para o longo do ano e contam com o apoio do governo brasileiro e o patrocínio do BNDS .

A décima edição do evento em Nova York, entretanto, foi adiada para junho de 2013. Após o cancelamento do Festival de Paulínia e a ameaça ao Festival de Gramado, devemos nos preocupar com a falta de investimento cultural no país? Será um sintoma social de que a nossa cultura cinematográfica não tem valor? O Festival de Paulínia deu lugar a outras prioridades sociais e o de Nova York parece que também, mas não é compreensível que a multinacional brasileira tenha que poupar custos  e retire logo de um dos setores que a empresa mais apoia ou, pelo menos, apoiava.

Confira a seleção de filmes feita para a mostra de Nova York que será apresentada em Londres:

Longas-metragens

Capitães da Areia, de Cecília Amado
Coração do Samba, de Thereza Jessouroun
Vou Rifar Meu Coração, de Ana Rieper
Jorge Mautner – O Filho do Holocausto, de Pedro Bial e Heitor D’Alincourt
Raul – O Início, o Fim e o Meio, de Walter Carvalho
Reis e Ratos, de Mauro Lima
Rock Brasília, de Vladimir Carvalho
Totalmente Inocentes, de Rodrigo Bittencourt
Dois Coelhos, de Afonso Poyart
Uma Longa Viagem, de Lucia Murat
Paraísos Artificiais, de Marcos Prado
A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Vinicius Coimbra
Meu País, de André Ristum
Xingú, de Cao Hamburguer

Curtas-metragens

Depois da Queda, de Bruno Bini
Folha em Branco, de Iuli Gerbase
O Brasil de Pero Vaz Caminha, de Bruno Laet
Olho de Boi, de Diego Lisboa
Não Deixe Joana Só, de Cecilia Engels
Deus, de André Miranda
Deus Proteja os Bêbados e as Crianças, de Bernardo Mello Barreto
Joãozinho de Carne e Osso, de Paulo Vespúcio Garcia
Phoenix, de Stefano Capuzzi Lapietra
Dia Estrelado, de Nara Normande
O Cangaceiro e o Leão, de Arnaldo Galvão
A Fábrica, de Aly Muritiba
A Grande Viagem, de Caroline Fioratti
Ribeirinhos do Asfalto, de Jorane Castro

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 01/06/2012, em Cinema e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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