A História de Nós 2 – Teatro Review

Como fazer uma peça ficar três anos em cartaz? Eu não sei quantas produções conseguiram realizar este desafio no teatro brasileiro. E apesar de não ser  uma frequentadora assídua das plateias teatrais, tenho observado o movimento do espetáculo “A História de Nós 2”  no Rio de Janeiro. Assisti à peça no início de 2011, no Leblon, mas desde de 2009, a produção já esteve em algumas outras salas na cidade e passou por São Paulo, Brasília etc.  Atualmente, voltou a marcar presença no cenário carioca, na Barra da Tijuca, tento levado mais de 350 mil pessoas ao teatro. 

Por que “A História de Nós 2” faz sucesso? Os motivos que me levaram à sala de exibição foi, em primeiro lugar, que eu sou fã de histórias românticas, ainda mais aquelas em que os dois não terminam juntos. Segundo, o nome lembra-me o filme “A História de Nós Dois” (The Story of Us, EUA, 1999), com Michelle Pfeiffer e Bruce Willis, que conta o drama de uma casal que após 15 anos de casamento entra em crise, enquanto os filhos passam o verão em um acampamento de férias. Eu já o vi algumas vezes, adoro e quando fui assistir à peça esperava alguma coisa parecida e divertida. Afinal de contas, histórias de casais é sempre um bom ingrediente para qualquer roteiro.

Na peça, Lena e Edu são os personagens centrais da trama e retratam o início, o meio e o fim das relações amorosas, por meio dos seus desejos e ambições desfeitos. Como qualquer casal, os dois passam pela difícil tarefa de dar prioridades a determinadas coisas e buscar realizar seus sonhos sem medir o que outro pensa ou realmente precisa. Os atores Alexandra Hichter e Marcelo Valle têm muita química e deixam a narrativa fluir bem. Lembro de sair da apresentação pensando sobre como o texto de Lícia Manzo se aplicava na vida cotidiana. Uma das coisas que me tocou é o que a personagem Lena diz na fase inicial do romance. No começo, tudo são flores, você acha as coisas que ele faz lindas e tolera todos os defeitinhos. Os problemas futuros, no entanto, já estão todos ali, só que a gente não dá importância a eles.

O roteiro transcorrer a partir da noite que Edu vai pegar suas coisas na casa de Lena. A partir da separação, todas as cenas têm uma reflexão sobre o andar dos acontecimentos anteriores. Assim como no filme americano, o casal pondera as coisas boas e ruins do relacionamento e nos apresenta detalhes da sua vida íntima e das suas expectativas. Para representar essas fases da vida amorosa, os personagens se transforma em seis: Lena, Mammy, Maria Helena (uma mulher dividida entre a carreira, a maternidade e a paixão) e Carlos Eduardo, Edu, Duca,  (um homem entre a vontade de ascender profissionalmente, de manter um casamento e o sonho der ser eternamente livre).

Como um roteiro assim pode dar errado? Somos todos essencialmente desse modo, vários dentro do mesmo corpo, querendo diversas coisas e nem sempre sabendo como chegar até elas. A direção é de Ernesto Piccolo (responsável também pelas peças “Igual a Você”, com Camila Morgado, e “Doidas e Santas”, com Cissa Guimarães), que consegue com alguns blocos de madeira criar a montagem perfeita para os impasses do casal. As piadas sobre as diferenças entre homens e mulheres estão no texto, mas existe o além disso, o que configura a peça como uma produção mais caprichada. Os elogios não são exagerados, em 2009, “A História de Nós 2” ganhou o prêmio Globo de Teatro e foi indicado a categoria melhor texto do prêmio Shell.

Indico para todos que quiserem refletir um pouco sobre a vida a dois, se divertir com o parceiro ou com os amigos, cutucar o acompanhante quando se reconhecer em alguma situação e, claro, aproveitar um pouco mais de uma hora de bom entretenimento. No dia em que fui ao espetáculo, os atores estavam vendendo dois broches com frases emblemáticas do roteiro, eu não lembro muito bem, mas era algo como: “Muita frilula para dar só uma trepadinha” e “Já dei hoje, agora só semana que vem”. Quem for ver, pode me corrigir.

A comédia romântica está em cartaz no Teatro dos Grandes Atores, no Barra Square, às sextas e sábados, às 21h, e aos domingos, às 20h. As entradas custam de R$ 70,00 a R$ 80,00, até 1º de julho.

Confira algumas cenas:

Anúncios

Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 12/05/2012, em Teatro e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: