Jornalistas elegem ‘O Palhaço’ como melhor filme nacional de 2011

O Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB-RJ) realizou ontem, dia 7, o prêmio ACIE de Cinema 2012 para eleger as melhores produções cinematográficas nacionais exibidas comercialmente no ano anterior. O evento é promovido desde 2004 pela Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira (ACIE), que se inspirou no Globo de Ouro, da The Hollywood Foreign Press Association.

Os grandes premiados da noite foram O Palhaço, de Selton Mello, e Elvis & Madona, de Marcelo Laffite. O longa de Selton foi escolhido como melhor filme e também ganhou o troféu “Blockbuster Brasil”, lançado este ano pela ACIE, no qual concorrem apenas produções que levaram mais de um milhão de espectadores às salas de cinema. De longe O Palhaço é a melhor produção nacional de 2011. Apesar de não ter assistido os outros filmes que concorriam ao prêmio, ao ver o trabalho de direção, roteiro e fotografia da película, não temos dúvidas de estar diante de algo que não tínhamos visto ainda no portfólio nacional. Selton Mello cria uma nova linguagem para o cinema brasileiro, ele já tinha dado essa demonstração de querer mudar a nossa rota de produção, com Feliz Natal em 2008.

O filme consegue mostrar com sutileza um momento de crise, só que conta com a agradável surpresa de ser seu um palhaço, o personagem escolhido para transmitir esta angústia que corrói a todos nós em algum momento da vida. Esta é uma obra interrogativa, na qual as resposta aparecem na percepção de cada espectador.

Já Elvis & Madona, eu nunca consegui assistir. Passou no Festival do Rio de 2010 e estreou ano passado em pouquíssimas salas, mas está na minha lista de obras pendentes. Acredito que os prêmios de melhor direção, ator, atriz e o troféu do júri popular afirmam a impressão que eu tinha da história e da sintonia dos personagens em cena, interpretados pelo premiados Igor Cotrim e Simone Spolatore. Os votos populares foram contabilizados durante a mostra gratuita de todos os filmes indicados durante duas semanas no CCBB.

Outro vencedor foi Lixo Extraordinário, de Lucy Walker, com dois troféus: melhor documentário e fotografia, para Duda Miranda. Eu tive o prazer de assisti-lo em uma sessão no Cine Odeon, graças a sua indicação ao Oscar 2011. Acredito que se não fosse a relação com o maior prêmio do cinema, a obra de Vik Muniz ainda estaria no anonimato popular no país. O artista e os personagens da vida real são admiráveis, simplesmente por vermos como aquelas pessoas conseguem viver apesar de tudo e como o artista faz nascer beleza do lixo comum.

A premiação também entregou um troféu para Claudia Mattos, por melhor roteiro de 180º, ainda não vi, mas aguçou minha curiosidade. E outro de melhor trilha sonora para Carlinhos Brown, por Capitães de Areia, que tem a produção equivocada e os atores também. O evento ainda homenageou, por conjunto da obra, o diretor Fernando Meirelles. A ACIE ressaltou a relevância do filme Cidade de Deus para a história do cinema nacional e a projeção internacional do país a partir das quatro indicações ao Oscar que o longa recebeu em 2004.

Os homenageados em anos anteriores foram Eduardo Coutinho (2007), Paulo José (2008), Domingos Oliveira (2009), Carlos Manga (2010) e Carlos Diegues (2011). Para ter uma ideia da repercussão que Meirelles trouxe para o Brasil, Cidade de Deus é 18º na lista que destaca os filmes que marcaram a história do cinema no “Internet Movie Database” (IMDb), feita pelos próprios usuários. A produção tem nota de 8,7 no site, com cerca de 250 mil votos do mundo todo. Justifica ou não a escolha do comitê?

Confira os trailler de O Palhaço e Elvis & Madona:

 

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 08/05/2012, em Cinema e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Também não vi os outros, mas o palhaço é um filme triste/alegre, belo e acima de tudo emocionante. Parabéns ao Selton que conseguiu elevar a qualidade do cinema nacional.

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