Festivais de Cinema ameaçados no Brasil

Desde o ano passado ouvimos falar mal da atual gestão do Ministério da Cultura (MinC). Muito se comenta, no entanto, nada se faz a respeito. Ana de Hollanda é um dos ministros da presidente Dilma Rousseff que já deviam ter saído do mandado, simplesmente por falta de competência para o cargo. Vários projetos que envolvem os financiamentos de cultura no nosso país, como o Mais Educação, não evoluem desde 2010. A maioria dos programas culturais do país está na mão de empresários que dão atenção apenas para ações com um único intuito: lucrar, e muito.

A notícia que estampou as editorias de cultura de ontem, dia 13, foi o cancelamento do Festival de Cinema de Paulínia este ano. A quinta edição do evento que se confirmava como um dos principais circuitos de divulgação da produção cinematográfica brasileira não será realizada e está ameaçada a acabar.  O prefeito da cidade do interior de São Paulo, José Pavan Junior, anunciou o cancelamento por falta de verba da prefeitura, que empregará o dinheiro em projetos sociais para o município. Com 7o mil habitantes, ano passado Paulínia também abrigou o festival de música SWU, que este ano deve ser realizado em outro lugar do estado.

A cultura brasileira é cultivada nas esquinas do bairros e nas periferias das cidades, mas quando falamos em promover projetos e disseminar conhecimento e costumes, o dever é do governo, ou pelo menos, o incentivo, porque agentes culturais por aí tem aos montes, o problema é que parece que nem todas as ideias são lucrativa. Até as que pareciam mais rentáveis estão perdendo este glamour.

Segundo o prefeito de Paulínia, a medida foi necessária para economia da cidade, que utilizará os R$ 10 milhões de investimento do evento para saúde, programas de meio ambiente e construção de novas escolas e casas. O principal erro de gestão foi que o poder executivo local contava que o festival fosse 100% patrocinado por empresas privadas este ano, o que não foi possível,  e por isso será suspenso por enquanto.  A medida provisória, no entanto, desanima os amantes do cinema e a espera pode ser mais longa do que a gente imagina, já que o tradicional Festival de Gramado também está perigando de não acontecer em 2012.

 No ano em que completa 40 anos, o Festival de Gramado sofre com uma dívida de R$ 3 milhões, pois o evento teve a sua conta bloqueada pelo MinC. Desse modo, o projeto deve dinheiro à rede hoteleira da cidade, aos realizadores que participaram da edição passada e até a seus curadores. O bloqueio é decorrente de um embate do MinC com a Associação de Cultura e Turismo de Gramado (ACTG) que promove a mostra. No ano passado, a promotoria do Natal Luz, que também é realizado pela ACTG, acusou a comissão organizadora de desvio de dinheiro e a denúncia levou a inabilitação desse agente cultural, responsável também pelo Festival de Gramado.

A prefeitura da cidade gaúcha promete montar uma nova comissão gestora e realizar a comemoração de 40 anos de evento programado para agosto. Seria um desperdício acabar com uma das mais famosas atrações turísticas da região e, além do mais,  muito dinheiro deixaria de entrar no município. O Deus-Sol Kikito, portanto, tem esperanças de continuar a brilhar na praça central da cidade e nas mãos dos cineastas, produtores e atores no segundo semestre de 2012.

Voltando a falar sobre o já efetivado cancelamento de Paulínia, o festival recebeu ano passado a inscrição de quase 40o filmes, exibiu 27 produções inéditas no circuito nacional e distribuiu R$ 800 mil em prêmios, tendo como principal vencedor da edição a obra “Febre do Rato”, de Cláudio Assis. O peculiar da programação de Paulínia é que os organizadores costumam destacar categoria ignoradas em outras competições , como figurino, som e direção de documentário.

Espero que o Ministério da Cultural ajude a promover os principais e tradicionais festivais de audiovisual nacionais e as empresas privadas vejam com bons olhos a disseminação do cinema em outras praças, quem sabe para aumentarmos o poder da nossa indústria cinematográfica.  Ainda há  o Festival de Brasília, o Festival do Rio e o CinePE, mas temos muitos estados para conquistar, o que não falta são realizadores pelo país buscando uma chance de mostrar seu trabalho.

Dê uma olhada em a “Febre do Rato” o grande ganhador do Festival de Paulínia 2011, que infelizmente não terá um vencedor em 2012.

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 14/04/2012, em Cinema e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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