Meia noite em Paris (Globo de Ouro)

Um dos indicados ao Globo de Ouro de 2012 e fortíssimo candidato ao Oscar 2012, Meia Noite em Paris (Midnight in Paris, 2011) encantou as platéias ao redor no mundo no ano passado, arrecadando US$ 56,3 milhões somente nos Estado Unidos. O longa também se consagrou como a maior bilheteria da carreira do diretor Woody Allen, ultrapassando Hannah e Suas Irmãs (1986), que na época gerou US$ 40, 1 milhões nos cinemas.

O sucesso do filme se deve a vivacidade e poesia da cidade de Paris representada pelas lentes de Allen. Desde os primeiros minutos de projeção, o diretor brinda o expectador com belas imagens transpassadas da Cidade Luz durante o dia até o anoitecer. A partir deste momento, começamos a contemplar o palco do nascimento das principais escolas artísticas e literárias do último século. Por meio do personagem Gil (Owen Wilson), alter ego do próprio diretor, acompanhamos um anti-herói romântico, inseguro e encantado pelas paisagens, as pessoas e a vida de Paris.

O elenco é essencial para que a história lírica se torne palpável. O personagem de Michael Sheen, Paul, concentra em si todo o aborrecimento que uma narrativa sobre releituras de artistas clássicos poderiam causar aos menos desavisados. Mas, não é isso que o roteiro de Allen deseja. Quando o sino ressoa as 12 baladas surge uma carruagem mágica que leva Gil para a Paris dos anos de 1920 e aos bares e restaurantes, onde Hemingway se embebeda e Fitzgerald tenta controlar a esposa impulsiva. Ainda temos a ótima atriz Marion Cortillard e a cantora Carla Bruni completando elenco.

Como toda obra de Woody Allen, entre personagens desajustados, existe um momento reflexivo no desfecho da história. Qual seria a melhor época para ter se vivido em Paris, ou em qualquer outro lugar do mundo? Antes de duas guerras mundiais? Após elas? Quem não gostaria de tomar um chá com Salvador Dali ou Luis Buñuel?

Concorrendo ao Globo de Ouro de melhor roteiro, filme e direção não há dúvidas que Woody Allen nos proporciona bons momentos, sejam na graça com a noiva desapaixona e o pedantismo de Paul, ou no sorriso cativante da vendedora de antiguidades, quem realmente entende Gil/ Woody Allen e sua obra. O meu filme favorito do diretor nova-iorquino, no entanto, continua sendo Macth Point, seguido por Vicky Christina Barcelona, que são obras mais sensuais e humanas. Meia Noite em Paris é uma produção onírica.

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 14/01/2012, em Cinema e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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