Milan Kundera e Marian Keyes

Milan Kundera

Imaginem o que Milan Kundera e Marian Keyes têm em comum? Alguns vão ponderar e outros perguntarão quem são eles. Mas, nunca imaginarão ambos juntos.

Milan Kundera nasceu na Tchecoslováquia, em 1929. O seu primeiro romance A Brincadeira, em 1976, é uma sátira da natureza do totalitarismo do período comunista. Logo que os soviéticos tomaram o seu país, Kundera foi morar na França, se naturalizando francês em 1980. Toda sua obra explora as escolhas e decepções humanas com teor político e filosófico, que nos lembra os questionamentos do filósofo Frederic Nietzsche. Contudo, apenas li dois livros seus A Insustentável Leveza do Ser (1983) e A Identidade (1998). Agora vocês já sabem um pouco sobre Kundera.

Daqui a pouco, revelo o porquê falar dele e o que tem a ver com Marian Keyes. Afinal quem é esta mulher?

Marian Keyes

No ano de 1995, um livro lançado pela Bertrand Brasil tornou best-seller e vendeu 50 mil cópias no nosso país. Melancia é nome da obra que produziu este efeito editorial, escrito pela irlandesa Marian Keyes, ele contava a história de Claire uma mulher largada pelo marido no dia do nascimento da sua filha, que encontra nas drogas e na bebida um refúgio para seu infortúnio. De lá pra cá, já foram lançados doze romances, nove aqui no Brasil, que seguem o mesmo enredo mulheres problemáticas em busca de redenção. O que a crítica chama de “literatura de mulherzinha”.

A autora passou pelos mesmos problemas que suas personagens, amor não correspondido, mágoas afogadas nas drogas e bebidas e por fim uma overdose de remédios, o que a levou para uma clínica de reabilitação. Esta experiência foi representada no seu segundo romance, Férias! (2004). Li seus três primeiros livros Melancia, Férias! e Sushi (2000).

Após uma breve apresentação, sabemos que os dois são escritores e as suas iniciais são M. K. A ideia de fazer esta comparação literária surgiu quando após terminar de ler as 558 páginas de Sushi, eu tinha me distraído bastante, mas não tinha nenhuma frase para compartilhar no Facebook, como sempre faço depois de terminar uma leitura. Logo depois comecei a ler A Identidade, de Milan Kudera, e já na página 20, suas palavras me trouxeram grandes reflexões e continuou até o final das suas poucas 115 folhas.

Como se eu lesse um livro de Nietzsche, A Identidade me trouxe além do confronto de ideias, personagens expressando-as em situações cotidianas, que poderiam ser minhas ou suas. Após lê-los senti que a minha vida se encheu mais de conhecimento, enquanto quando eu lia Sushi me sentia apenas me distraindo do cotidiano e acompanhando as adversidades engraçadas de mulheres com problemas causados pela mídia e a imposição social, nada reflexivo, tudo imediato, a banalização do sexo, a futilidade do consumismo e as relações sem profusão, e, por fim, a bebida e as drogas como cápsula de fuga.

Não é uma crítica. É uma constatação. Em que meandros andam a literatura moderna? O que os leitores desejam? Distração ou conhecimento? Eu acredito que os dois.

                  

Alguns autores usam o gênero literário romance para discutir questões sociais, políticas e nos ajudam a pensar e a construir nossa opinião. Outros nos levam para o mundo da fantasia e nos apresenta seres e lutas bárbaras, que nos fascinam e nos fazem viajar; ainda há os que descrevem a vida moderna com personagens atribulados e bastante ação. São estilos diferentes, a razão de colocá-los em confronto é garantir que a leitura tenha espaço em qualquer via, e reconhecer o prazer que cada um propõe. Este texto nasceu apenas porque escolhi ler Marian keyes e depois Milan Kundera. Agora estou lendo Eni Orlandi, Interpretação (2007), com o qual estou aprendendo também sobre os modos de interpretação do discurso.

Você já parou para pensar no que você absorve de cada livro que lê?

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 03/01/2012, em Literatura e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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