Anima Mundi 2011

Poucas coisas me passam a sensação de êxtase e tranquilidade. Para ser franca, são apenas três: um bom livro, uma música com tons vibrantes e um filme. Durante o ano, o calendário cultural carioca me proporciona verdadeiros momentos de prazer com festivais dessas três categorias. Uns são anuais, outros bienais e têm os que aparecem apenas de vez em quando.

Entre os dias 15 e 24 de julho, os apreciadores da sétima puderam assistir ao 19º Festival de Animação Internacional do Brasil, ou melhor, o Anima Mundi 2011, no Rio de Janeiro. Neste período, a magia das fábulas e do impossível aparece em frente aos nossos olhos de maneira engraçada, sombria, e às vezes, até mesmo mal aproveitadas. Normalmente, as sessões são compostas por seis até nove curtas metragens. Esta divisão de módulos é o que mais me agrada na produção do festival, a gente consegue vivenciar várias emoções em apenas uma hora e todo ano existe uma história que me surpreende.

Em 2010, eu me encantei por uma produção cubana chamada “20 años”, de Bárbaro Joel Ortiz, que retratava melancolicamente o desamor e o esquecimento numa relação matrimonial. Era uma animação, mas ainda assim amarga e dura. Existem ainda milhares de pessoas que acham que os desenhos e as criações em stop motion são para crianças e que abordam temáticas rasas. E aí que a maioria se engana.

Este ano duas pequenas produções me chamaram atenção. A primeira foi a adaptação chilena do famoso conto “O Travesseiro de Penas”, do escrito uruguaio Horacio Quiroga, em versão stop motion. A produção de Hugo Covarrubias é minimalista e apresenta um tom perfeito de monotonia e suspense presentes na história. A narrativa foi o que mais me agradou, ainda que mais por mérito do conto do que do roteirista, já que as frases são fiéis aos versos do escritor.

Já a outra engraçada criação “Guerra de Piolhos” vem da Argentina e a proposta é retratar o mundo dos piolhos na nossa cabeça. Na lúdica história de Alejo Paredes, uma nave invade o território dos diminutos seres e começa a exterminar um por um por. São apenas três minutos e os traços bastante simples, mas a criatividade fala mais alto. Em contrapartida, também há aquelas apresentações que a gente não entende porque entrou na mostra. Nesta edição, o chileno “Massa” ganhou o meu troféu “dispensável”.

Os Curtas são gotículas da sétima arte e uma escola de aprendizado para qualquer futuro artista. Foi assim que grande parte dos famosos diretores começou. Agora é esperar o Curta Cinema entre os dias 27 de outubro e 06 de novembro!

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Sobre Letícia Alassë

Jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, Editora e Crítica do blog Centro do Cinema e Translação de Culturas e idealista por convicção. Aos 27 anos tenta descobrir a melhor maneira para viver.

Publicado em 02/08/2011, em Cinema e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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