Los Hermanos nos cinemas de 21 cidades do Brasil + Playlist do show
Em 2012, a banda Los Hermanos comemora quinze anos de trajetória e para celebrar a data, no ano passado, foi anunciado vários shows em 12 cidades brasileiras. Com ingressos bem salgados em determinadas regiões do país, Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba conseguiram esgotar as entradas rapidamente e disponibilizaram mais dias de apresentação para suprir a demanda do público saudosista. No Rio de Janeiro serão seis dias destinados para o evento, seguido por São Paulo, com quatro dias de espetáculo.

Toda essa movimentação, no entanto, não foi suficiente para os fãs de Los Hermanos. Os produtores acreditam que mais pessoas gostariam de ver o “retorno” dos quatro rapazes ao palco, após cinco ano da separação. Com o objetivo de ampliar o público, a CineLive promoverá pela primeira a transmissão ao vivo de uma banda nacional nos cinemas. O escolhido para estreia será o show do dia 31 de maio, quinta-feira, às 22h, no Espaço das Américas, em São Paulo. Junto com os quatro músicos sobem ao palco Gabriel Bubu (baixo), Bubu (trompete), Índio (saxofone barítono) e Mauro Zacharias (trombone).
As sessões do show dos Los Hermanos também abordará cidades em que os músicos não passarão em turnê, como Florianópolis, Fortaleza, João Pessoa e Maceió, além de outro municípios de São Paulo e da Região Sul. Os ingressos custam entre R$ 30,00 e R$ 60,00 e começaram a ser vendidos nesta quarta-feira, dia 23, no site do CineLive. Veja a relação completa:
Belo Horizonte - Cinearte do Minas Shopping + Cinemark Savassi
Brasília - Severiano Ribeiro do Kinoplex Park Shop + Cinemark Pier 21
Campinas - Cineflix Galeria Shopping
Caruaru - Center Plex Caruaru
Curitiba — UCI Palladium
Florianópolis - Cinespaço Beira Mar Florianópolis
Fortaleza — UCI do Shopping Iguatemi + Center Plex do Shopping Via Sul
João Pessoa - Cinespaço MAG Shopping
Juiz de Fora - UCI Independência
Maceió - Centerplex do Patio Maceió
Maringá - Cineflix Maringá Park
Niterói - Cinemark Niterói
Porto Alegre - Cineflix do Shopping Total
Recife - UCI do Shopping Center Recife
Ribeirão Preto - UCI Ribeirão Shopping
Rio de Janeiro - Espaço Itaú Praia Botafogo + Serveriano Ribeiro do Kinoplex Tijuca + UCI New York City Center + Severiano Ribeiro do Fashion Mall + Cinemark Botafogo + Cinemark Downtown
Salvador - Cinemark Salvador Shopping
Santos - Roxy Santos
São José dos Campos - Cineflix Shopping Vale Sul
São Paulo - Serveriano Ribeiro Shopping Vila Olímpia + UCI Shopping Jardim Sul + Espaço Itaú Frei Caneca + Cinermark Santa Cruz + Cinemark Eldorado + Cinemark Market Place
Sorocaba - Cinespaço Villagio Sorocaba
Também rola pela internet uma playlist do primeiro show da turnê de Los Hermanos, em Recife, no dia 20 de abril. Confira as possíveis músicas das próximas apresentações:
1- Além do que se vê
2- O Vencedor
3- Retrato para Iaiá
4- Todo Carnaval tem seu fim
5- O Vendo
6- A Outra
7- Morena
8- Primeiro Andar
9- Mais Tarde (solo de Marcelo Camelo)
10- Do Sétimo Andar
11- Um Par
12- Sentimental
13- Cadê teu suin?
14- Acostumar (solo de Marcelo Camelo)
15- A Flor
16- Cara Estranho
17- Condicional
18- Deixa o Verão
19- Sem título (música inédita de Amarante)
20- Pois é
21- O Velho e o Moço
22- Conversas de Botas Batidas
23- Último Romance
(Bis)
24- Sem título (música inédita de Amarante)
25- Casa Pré-fabricada
26- Quem Sabe
27- Tenha Dó
28- Descoberta
29- Pierrot
Séries Canceladas em 2012
Chegou mais um fim de temporada e os canais americanos começaram a fazer as contas e avaliar as séries que foram sucesso e as que deixaram a desejar. Este mês, foi anunciado o encerramento de 34 produções, entre eles “House” (FOX) e “Desperate Housewives” (ABC), que deixarão saudades após vários anos no ar. A boa notícia é que nenhuma das minhas séries favoritas, que começaram em 2011, foi cortada. Além das já renovadas “Game of Thrones” (HBO), “Homeland” (HBO), “New Girl” (FOX) e “Awkward.” (MTV), não aparecem na lista “Two Broke Girls” (CBS), “Switch at Birth” (ABC) e “Suburgatory” (ABC).
Muitas estreias, no entanto, não sobreviveram ao segundo ano, como “I Hate My Teenager Daugther” (FOX), “The Secret Circle” (CW) e “How to Be a Gentleman” (CBS). Cito apenas esses exemplos porque cheguei a ver algumas partes e achei sofríveis. “I Hate My Teenager Daugther” não devia nem ter sido produzida, os personagens são caricatos e forçados demais. Já “The Secret Circle” parece a cópia de “Vampire Diaries”, só que com bruxaria. Por fim, “How to Be a Gentleman” tinha apenas argumento para ser um filme de comédia mediano.
Lista completa:

A
A Gifted Man – CBS
Alcatraz – Fox
Allen Gregory – Fox
Are You There Chelsea? – NBC
Awake – NBC
B
Bent – NBC
BFFs (Best Friends Forever) – NBC
Breaking In – Fox
C
Charlie’s Angels – ABC
CSI: Miami – CBS
D
Desperate Housewives – ABC (encerrada)
F
Finder, The – Fox
Firm, The – NBC
Free Agents – NBC
H
Harry’s Law – NBC
House – Fox (encerrada)
How to Be a Gentleman – CBS
I
I Hate My Teenage Daughter – Fox
M
Man Up – ABC
Missing – ABC
N
Napoleon Dynamite – Fox
NYC 22 – CBS
O
One Tree Hill – CW (encerrada)
P
Pan Am – ABC
Playboy Club, The – NBC
Prime Suspect – NBC
R
Ringer – CW
River, The – ABC
Rob – CBS
S
Secret Circle, The – CW
T
Terra Nova – Fox
U
Unforgettable – CBS
W
Work It – ABC
Jornalistas elegem ‘O Palhaço’ como melhor filme nacional de 2011
O Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB-RJ) realizou ontem, dia 7, o prêmio ACIE de Cinema 2012 para eleger as melhores produções cinematográficas nacionais exibidas comercialmente no ano anterior. O evento é promovido desde 2004 pela Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira (ACIE), que se inspirou no Globo de Ouro, da The Hollywood Foreign Press Association.

Os grandes premiados da noite foram O Palhaço, de Selton Mello, e Elvis & Madona, de Marcelo Laffite. O longa de Selton foi escolhido como melhor filme e também ganhou o troféu “Blockbuster Brasil”, lançado este ano pela ACIE, no qual concorrem apenas produções que levaram mais de um milhão de espectadores às salas de cinema. De longe O Palhaço é a melhor produção nacional de 2011. Apesar de não ter assistido os outros filmes que concorriam ao prêmio, ao ver o trabalho de direção, roteiro e fotografia da película, não temos dúvidas de estar diante de algo que não tínhamos visto ainda no portfólio nacional. Selton Mello cria uma nova linguagem para o cinema brasileiro, ele já tinha dado essa demonstração de querer mudar a nossa rota de produção, com Feliz Natal em 2008.
O filme consegue mostrar com sutileza um momento de crise, só que conta com a agradável surpresa de ser seu um palhaço, o personagem escolhido para transmitir esta angústia que corrói a todos nós em algum momento da vida. Esta é uma obra interrogativa, na qual as resposta aparecem na percepção de cada espectador.
Já Elvis & Madona, eu nunca consegui assistir. Passou no Festival do Rio de 2010 e estreou ano passado em pouquíssimas salas, mas está na minha lista de obras pendentes. Acredito que os prêmios de melhor direção, ator, atriz e o troféu do júri popular afirmam a impressão que eu tinha da história e da sintonia dos personagens em cena, interpretados pelo premiados Igor Cotrim e Simone Spolatore. Os votos populares foram contabilizados durante a mostra gratuita de todos os filmes indicados durante duas semanas no CCBB.
Outro vencedor foi Lixo Extraordinário, de Lucy Walker, com dois troféus: melhor documentário e fotografia, para Duda Miranda. Eu tive o prazer de assisti-lo em uma sessão no Cine Odeon, graças a sua indicação ao Oscar 2011. Acredito que se não fosse a relação com o maior prêmio do cinema, a obra de Vik Muniz ainda estaria no anonimato popular no país. O artista e os personagens da vida real são admiráveis, simplesmente por vermos como aquelas pessoas conseguem viver apesar de tudo e como o artista faz nascer beleza do lixo comum.

A premiação também entregou um troféu para Claudia Mattos, por melhor roteiro de 180º, ainda não vi, mas aguçou minha curiosidade. E outro de melhor trilha sonora para Carlinhos Brown, por Capitães de Areia, que tem a produção equivocada e os atores também. O evento ainda homenageou, por conjunto da obra, o diretor Fernando Meirelles. A ACIE ressaltou a relevância do filme Cidade de Deus para a história do cinema nacional e a projeção internacional do país a partir das quatro indicações ao Oscar que o longa recebeu em 2004.
Os homenageados em anos anteriores foram Eduardo Coutinho (2007), Paulo José (2008), Domingos Oliveira (2009), Carlos Manga (2010) e Carlos Diegues (2011). Para ter uma ideia da repercussão que Meirelles trouxe para o Brasil, Cidade de Deus é 18º na lista que destaca os filmes que marcaram a história do cinema no “Internet Movie Database” (IMDb), feita pelos próprios usuários. A produção tem nota de 8,7 no site, com cerca de 250 mil votos do mundo todo. Justifica ou não a escolha do comitê?
Confira os trailler de O Palhaço e Elvis & Madona:
Mario Vargas Llosa, a literatura peruana
Minha curiosidade sobre a obra de Mario Vargas Llosa surgiu quando ele lançou o livro “Travessuras da Menina Má” (2006), que eu comprei na Bienal do Livro de 2007, mas apenas li em 2010. Acredito que o título tenha me chamado atenção na época pelo fenômeno que tinha sido a obra do australiano Markus Zusak, “A Menina que roubava livros” também de 2006. Acredito que usar o substantivo “menina” mais alguma coisa virou moda entre os editores após ambos os lançamentos, já vi “A menina que não sabia ler”, “A menina dos pés de vidro” etc.
O texto, no entanto, não é sobre isso. Meu interesse pelo escritor Vargas Llosa aumentou ainda mais em 2010, quando os membros da academia sueca concederam o prêmio Nobel de Literatura a ele por “sua cartografia de estruturas de poder e suas imagens vigorosas sobre a resistência, revolta e derrota individual”. No mesmo ano, eu li o único livro do premiada que tinha em mãos e para minha constatação eu amei cada página de “Travessuras da Menina Má”.
O bom menino com suas breguices amorosas e a menina má são um prato cheio de intrigas, aventuras e viagens pela história e pelo mundo. Tenho um prazer imenso quando um livro consegue me deslocar para o local dos acontecimentos e a escrita do peruano faz isso muito bem. Acima de tudo a narrativa é sobre uma história de amor sem sentimentalismo. Existe narrativa amorosa assim? Vargas Llosa mostra que é possível o amor crescer conforme o sofrimento também aumenta. Ricardo ou Ricardito, personagem central da trama, tinha apenas um sonho: sair de Lima e morar em Paris, o que ele consegue ainda jovem como tradutor da Unesco.
Outro ponto de desejo do personagem, contudo, era possuir a garota ousada que ele conhece ainda menino na sua cidade natal no Peru, durante a década de 1950. O reencontro dos dois em Paris reacende a vontade de Ricardito e toda a sua confusão amorosa pelo resto da vida. O romance se desenrola ao longo da história de forma sempre indiferente pela menina má, enquanto nós passeamos pela França dos anos de 1960, Londres na época dos hippies, uma Tóquio da máfia organizada e ainda pelas transições políticas de Madri. Ao que me lembro, sai arrasada ao final daquela leitura com tantas questões na cabeça que se não pegamos um lápis e um papel logo, elas se confundem e somem no fundo dos nossos pensamentos. E foi o que aconteceu.
“– Eu faço das duas maneiras, e desse jeito sou feliz, cara – confessou, relaxado. – Acho que gosto mais de garotas que de garotos, mas de qualquer maneira não me apaixonaria nem por um nem por outro. O segredo da felicidade, ou, pelo menos, da tranquilidade, é saber separar sexo e amor. E, se possível, eliminar da vida o amor romântico, que é o que faz sofrer. Assim se vive mais sossegado e se aproveita mais, pode crer.”
(Travessuras da Menina Má, 2006, página 91)
Encantada com a escrita do ensaísta, jornalista e político peruano, eu procurei outros livros dele e acabei por comprar “Pataleão e as Visitadoras” (1973) em um sebo virtual no ano passado, entretanto, não o li. Há duas semanas, eu e Vargas Llosa nos encontramos novamente por meio do romance “Elogio da Madastra” (1988) e desta vez ele me pegou de jeito com menos páginas, mas com um jeito peculiar de contar uma história de pedofilia e desejos secretos.
Lucrecia acaba de completar 40 anos e se sente a mais feliz das mulheres com aparência jovial e um casamento perfeito, no qual ambas as partes do matrimonio se sentem completas. A única dúvida da mulher seria a aceitação do filho pequeno do seu marido, por ocupar o lugar da sua falecida mãe. O menino Alfonso, no entanto, aparenta demonstrar demasiada afeição por ela. Daí nasce uma trama recheada com as fantasias eróticas do casal e os rituais perfeccionistas de Rigoberto.
As descrições da higiene detalhista do personagem são tão profundas que nos dá a sensação que faltamos respeito ao nosso corpo. Apreciei cada palavra dos capítulos de sonhos e de atividades consideradas banais, enquanto aumentavam as dúvidas de dona Lucrecia sobre os sentimentos do enteado e as graças de Rigorberto ao acreditar que encontrou a plena felicidade na idade madura ao lado da nova esposa.
Acredito que o choque final é esperado ansiosamente ao decorrer das linhas, mas mesmo assim quando acontece sabemos que não é um fim, mas apenas um dos pontos desfeitos.
E tudo começa assim:
“No dia em que fez quarenta anos, dona Lucrecia encontrou em cima do travesseiro uma missiva de traço infantil, caligrafada com muito carinho:
Feliz aniversário, madrasta!
Não tenho dinheiro para lhe dar nada, mas vou
estudar muito, tirar o primeiro lugar e isso vai ser o
seu presente. Você é a melhor e a mais bonita de todas
e eu sonho toda noite com você.
Feliz aniversário outra vez!
Alfonso”
Leia um preview da obra aqui e se prepare para querer ler mais e mais as obras de Mario Vargas Llosa, assim como aconteceu comigo.




